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08/03/2007
Dados
sobre a conjuntura da agricultura e da realidade das mulheres
camponesas
1. DADOS AGRONEGÓCIO
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84% das
vendas globais dos agrotóxicos, são dominadas por 10 empresas
transnacionais, são elas: Bayer, Syngenta, BASF, Dow, Monsanto,
Dupont, Koor, Sumitomo, Nufarm e Arista. No entanto, devido a
tal nível de concentração, os analistas prevêem que nos
próximos períodos somente sobreviverão três empresas,
provavelmente a Bayer, Syngenta e Basf.
-
As
corporações de alimentos e bebidas são as maiores compradoras
de matéria-prima agrícola. Alguns exemplos de grandes empresas
processadoras de alimentos no mundo: Nestlé, Philip Morris,
ConAgra Inc., Unilever, Coca-cola Co., Pepsi Co.
-
Na década de
1970, existiam mais de 7.000 empresas produtoras de sementes.
Em 2003, as dez maiores empresas já controlavam 1/3 do mercado
mundial. Em 2005, as mesmas dez empresas controlavam metade do
mercado mundial de sementes.
-
A
multinacional Monsanto é a maior empresa de venda de
sementes comerciais. Outras gigantes da produção de
sementes são Syngenta, Bayer Crop, Science, Delta & Pine,
Nidera, Pioneer e Agrow Science.
-
A
Monsanto, em 2006, aumentou de 35% para 39% sua
participação no mercado do milho híbrido. Desde 1998,
introduziram no mercado Argentino seus híbridos e hoje
respondem por 57% dos 70% do milho geneticamente modificado
no país (1,5 milhão de hectares, do total de 3,1 milhões de
hectares).
-
Em 2000,
cinco transnacionais controlavam mais de 75% do comércio
mundial de grãos.
-
Na década de
1960 consumíamos em nossa alimentação cerca de 35
grãos, hoje a prioridade do consumo é de somente
5 variedades de grãos (trigo, milho, soja, arroz e feijão)
que são as grandes monoculturas.
-
A Bunge
controla toda a cadeia de produção de grãos,
desde a produção, transporte, industrialização e
comercialização.
-
A Bayer
é dona de fábricas de venenos e medicamentos e,
ao mesmo tempo, também controla a produção de sementes.
-
De 2003 a
2005
o agronegócio recebeu diretamente cerca de 115
bilhões de reais em forma de crédito rural do Governo Federal,
além de infra-estruturas e dinheiro dos próprios agricultores
com a venda de sementes e venenos.
-
As empresas
de celulose no Brasil concentram 3 milhões de hectares
de terra com plantações de eucaliptos, pinus e acácia. No ano
de 2004, 97% da produção foi para a exportação.
-
No Brasil,
são usadas mais de 500 mil toneladas de agrotóxicos por ano
nas lavouras. Isto é igual a quinhentos milhões de litros de
venenos/ano, sendo uma tonelada e meia de embalagens desses
agrotóxicos.
-
O grupo
Cargil controla 96% do mercado de sementes de milho no
mundo.
2.
NÚMEROS DO HIDRONEGÓCIO
-
70% do setor
energético do Brasil pertence a empresas multinacionais ou
transnacionais, sendo apenas 30% pertencente a empresas
brasileiras.
-
Mais de um
milhão de pessoas foram expulsas de suas terras para
construção de barragens no Brasil.
-
70% das
famílias que foram expulsas por construções de barragens não
receberam indenização nenhuma por suas terras e não foram
reassentados.
-
Mais de 34
milhões de hectares de terras estão cobertas por água nos
reservatórios que são de empresas privadas.
3.
DADOS DA PRODUÇÃO DE CELULOSE
3.1 - AS EMPRESAS
A - Aracruz
Celulose S.A.
-
Atualmente é
a maior produtora de celulose branqueada de eucalipto no
mundo, com 35% da produção mundial, cerca de 2,4 milhões de
toneladas/ano.
-
Utiliza
exclusivamente plantio de eucalipto para produzir celulose de
fibra curta de alta qualidade para produzir um grande
número de produtos de alta qualidade, como papel para imprimir
e escrever, todos de alto valor agregado.
-
O lucro da
empresa Aracruz Celulose e Papel nos últimos 4 meses de 2006
foi de 296 milhões de reais, 65% a mais do que no ano de 2005.
-
A Unidade de
Guaíba (RS), no terceiro trimestre de 2005, teve uma produção
de papel de 14 mil toneladas, que representa o consumo de 12
mil toneladas de celulose, aqui produzidas.
-
Para a
instalação das fábricas, a Aracruz recebeu 337 milhões de
dólares do BNDES. Em 2006 recebeu mais 297 milhões, além da
infra-estrutura necessária.
-
Até março de
2006, a empresa quer ampliar sua capacidade instalada das
atuais 400 mil toneladas para 430 mil toneladas/ano de
celulose branqueada de eucalipto na unidade de Guaíba. Até
2007, a fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro (RS), vai
aumentar a produção de mudas de eucalipto dos atuais 10
milhões para 30 milhões por ano. Provavelmente, será este o
viveiro que fornecerá as mudas para a Stora Enso em sua fase
inicial de plantio no Estado, parceira da Aracruz na VERACEL.
-
O preço
líquido médio da celulose vendida diretamente pela Aracruz foi
de R$ 1.194/t, no terceiro trimestre, 11% menor que o recebido
no mesmo período de 2004.
-
A mesma
empresa possui 263 mil hectares de terra própria no Espírito
Santo, além de mais 81 mil hectares consorciados com
agricultores/as. As empresas Aracruz, Votorantin Papel e
Celulose e Stora Enso, pretendem plantar no Rio Grande do Sul
um milhão de hectares até o ano de 2010.
Acionistas da
empresa Aracruz, que seria uma empresa brasileira:
-
28% das
ações da Aracruz Celulose são de propriedade do grupo
Lorentzen, da Noruega (multinacional).
-
28% das
ações são do banco Safra, cuja sede é no Principiado de
Mônaco, na Itália.
-
28% das
ações são da Empresa Votorantin, que controla o mercado de
cimento no Brasil e grande investidora em construção de
barragens.
-
12,5% das
ações são do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social), do governo brasileiro. O restante das
ações está nas mãos de pequenos acionistas, entre eles a
Empresa Souza Cruz, exploradora dos/as plantadores/as de fumo.
B -
Votorantin Celulose e Papel – VCP
-
Suas vendas
de papel e celulose no terceiro trimestre de 2005 somaram 378
mil toneladas, 19% superior ao mesmo trimestre de 2004. O
lucro líquido do terceiro trimestre de 2005 foi de R$ 114
milhões.
-
A partir de
seus planejamentos foram realizados fortes investimentos na
área florestal, incluindo a aquisição de terras e o plantio de
eucalipto no Estado de São Paulo, em regiões próximas às
fábricas, e a implantação de uma nova reserva florestal da VCP
no Sul do Estado do Rio Grande do Sul (podendo eventualmente
incluir o norte do Uruguai), com a compra já efetuada de 66
mil hectares de terras.
-
A VCP
comercializa seus produtos no mercado interno e exporta para
mais de 55 países, nos cinco continentes.
A estratégia
da VPC no RS
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Já adquiriu
66 mil hectares em 14 municípios da Metade Sul do Estado. O
pólo do monocultivo de árvores e a unidade industrial da VCP
irão se localizar no eixo Rio Grande - Pelotas - Arroio
Grande, expandindo-se até Bagé.
-
A projeção
da empresa é de produção de 3 milhões de metros cúbicos de
madeira em 2011 e de 4,2 milhões em 2012. Para atingir esta
meta, é projetado o plantio de 100 mil hectares de eucalipto
até 2011, sendo que deste total 30% deve ter origem na
produção de terceiros, através do programa lançado pela
empresa de "Poupança Florestal".
-
Até o final
de 2005 foram investidos R$ 310 milhões na aquisição de
terras, na contratação e treinamento de pessoal para a
construção do maior viveiro coberto do país.
C - Stora Enso
-
Empresa
sueco-finlandesa, uma das líderes mundiais na produção e
comercialização de papel, celulose (produtos florestais).
-
O
faturamento foi de 12,4 bilhões de Euros em 2004. A Stora Enso
emprega cerca de 45 mil pessoas, em mais de 40 países, nos
cinco continentes.
-
Sua
capacidade anual de produção é de 16,4 milhões de toneladas de
papel e papelão, 7,7 milhões de metros cúbicos de madeira
cerrada, incluindo 3,2 milhões de metros cúbicos de produtos
com alto valor agregado.
-
O
fornecimento de mudas até 2007 será feito por terceiros,
quando então estará construído o viveiro próprio. A meta da
Stora Enso é plantar 100 mil hectares de eucalipto e pínus,
sendo que 20% será em parceria com terceiros a nível local.
3.2 - INVESTIMENTOS PÚBLICOS NAS INDÚSTRIAS DE
CELULOSE
-
A empresa
Aracruz celulose recebeu em 2006, R$ 595,9 milhões para
investir no Estado do Espírito Santo e a Empresa Votorantin,
23,4 milhões para investir no estado do Rio Grande do Sul.
Parte será usada para expandir áreas de plantio de eucalipto,
ampliando em 9% a área própria da empresa Aracruz (77,9 mil
hectares) e de 26 mil hectares de fomento (parceria no plantio
de eucalipto em terras de pequenos produtores rurais).
Acionista das principais empresas de celulose do país, o BNDES
investe R$ 2 bilhões no setor, 43% a mais do que em 2005.
-
De 2003 a
2005 as empresas do agronegócio receberam 115 bilhões em
créditos ao passo que a agricultura camponesa recebeu apenas
20 bilhões.
3.3 - AS ESTRATÉGIAS MACROECONÔMICAS DAS EMPRESAS
-
As empresas
na sua maioria são verticalizadas, integrando todas as etapas
do processo produtivo, desde a base florestal,
industrialização e comercialização de papel e produtos
derivados.
-
De forma
geral, três quartos da celulose produzida a partir da madeira
é processada dentro da indústria e destinada à produção de
papel. Da celulose se extraem dois grandes grupos de produtos,
a celulose de fibra longa de alta resistência mecânica para a
produção de embalagens e a celulose de fibra curta destinada à
produção de papel para imprimir e escrever.
-
No mercado
mundial, 44% é de pasta de celulose de fibra longa e 42% de
fibra curta. Esta relação poderá se alterar rapidamente em
função do avanço tecnológico, novos usos da fibra curta de
eucalipto, os menores custos na produção de fibra curta de
eucalipto, o preço superior na produção da fibra longa e as
restrições de retirada de madeira das florestas americanas,
tem impulsionado os investimentos das empresas para a produção
de fibra curta.
-
As vantagens
comparativas na base florestal e para a produção de pasta de
celulose no hemisfério Sul, principalmente as condições
climáticas com ciclo de corte de 5 a 7 anos para as árvores
de eucalipto, inferior as do hemisfério Norte que varia de 25
a 35 anos para o pínus e menor valor das terras para o
plantio. O Brasil tem ainda acúmulo tecnológico em manejo de
florestas plantadas.
-
As vantagens
competitivas do hemisfério Sul levaram ao fechamento de muitas
empresas no hemisfério Norte, transferindo seus ativos para o
Sul, comprando empresas aqui ou fazendo parcerias (VERACEL).
-
O Brasil é
responsável por 18% da produção mundial de fibra curta
branqueada de eucalipto, sendo desta forma, o maior produtor
mundial. Em 2002, os dez maiores produtores de celulose eram
Estados Unidos (29%), Canadá (14%), China (9%), Finlândia,
Suécia e Japão (6%), Brasil e Rússia (4%), Indonésia (3%) e
Chile (1%).
-
O setor de
papel e celulose no Brasil é constituído de 220 empresas, com
produção estimada em 2004 de 9,5 milhões de toneladas de
celulose e 8,2 milhões de toneladas de papel.
-
Todos os
indicadores apontam para um cenário de crescimento positivo em
torno do mercado de celulose, de no mínimo 2% ao ano, de forma
firme, alem de estar associado ao crescimento do PIB mundial,
com preços estáveis, especialmente a celulose de eucalipto que
continuará crescendo nos próximos anos em função da
popularização dos instrumentos de cópia e impressão
disponibilizados pela era da informática.
-
A produção
de papel para imprimir e escrever na Europa Ocidental durante
os meses de julho e agosto de 2005 ultrapassou os níveis de
2004 em 3,6% (203 mil toneladas). As vendas de celulose
durante os meses de julho e agosto no Europa Ocidental
cresceram 3,5% (209 mil toneladas) em comparação a 2004. No
mesmo período, as vendas de celulose de eucalipto alcançaram
1,4 milhões de toneladas, um aumento 7% (93 mil toneladas) em
relação a 2004. As maiores perspectivas de crescimento do
mercado mundial de celulose estão nos países asiáticos.
-
Os grandes
grupos econômicos nacionais e internacionais da cadeia
florestal, pensando principalmente em grandes fábricas de
celulose, especialmente de eucalipto, voltam-se para a metade
sul do RS, mas também, articulando-se com o pampa Uruguaio e
Argentino, bem como o Sul do Chile, formando no Cone Sul da
América do Sul um grande pólo florestal pelas seguintes
razões:
-
Vantagens
comparativas em relação ao hemisfério Norte, já citadas
anteriormente.
-
Mercado
mundial de madeira e celulose (cadeia florestal) em expansão,
apontando que nos próximos 50 anos, este marcado não sofrerá
grandes percalços.
-
No caso do
Brasil, estudos indicam que desde 2004 a demanda por madeira é
maior do que a oferta e esta situação poderá perdurar no
mínimo até 2020.
-
Infra-estrutura de estradas, portos, telecomunicações, mas
principalmente pela existência de água abundante (Lagoa dos
Patos, Mirim e rio Uruguai), exigida pelo processo de
branqueamento do papel por cloro.
-
Condições
favoráveis do terreno, permitindo uma mecanização completa de
todo o processo, bem como a existência de um pólo da indústria
de máquinas agrícolas no RS.
-
Frente à
situação de estagnação econômica da região Sul, estas
propostas acabam por se transformar em espécie de salvação
milagrosa para a região.
-
Recebem
apoio político do governo do Estado e de quase todos os
setores empresariais da região, tendo portanto pouca
resistência, com exceção do setor dos ambientalistas e algumas
vozes nas universidades.
-
A produção
de eucalipto, durante seu desenvolvimento vegetativo, faz
captura de carbono, numa média de 10 milhões de toneladas por
hectares ao ano, que as empresas poderão no futuro trocar por
créditos de carbono, com base no protocolo de Kioto.
-
As empresas
estavam pagando inicialmente pelas terras R$ 3.5 mil por
hectare, atualmente estão pagando R$ 2,8 mil. O INCRA está
operando na faixa de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil por hectare,
conforme as características de cada propriedade.
3.4 - IMPACTOS AMBIENTAIS, SOCIAIS E ECONÔMICOS
DECORRENTES DA PRODUÇÃO DE CELULOSE.
-
Informações
da Associação Brasileira de Florestas Plantadas (ABRAFLOR),
afirmam que durante um ano o consumo de água do eucalipto
varia de 800 a 1200 litros por metro quadrado. Também informa
que para produzir um quilo de madeira de eucalipto são
necessários 350 litros de água.
-
A
precipitação de chuva nos últimos anos tem sido 20% menor que
o consumo que uma grande plantação de eucaliptos necessita.
-
O eucalipto
tem alto consumo de água, pois tem uma grande
evapotranspiração, podendo ressecar o solo, secar olhos
d’água, baixar o lençol freático, secar banhados, diminuir a
água dos pequenos córregos e riachos, etc.
-
Mais de 270
riachos secos.
-
Seca poços
artesianos de até 30 metros de profundidade, deixando a
população local sem água.
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As fábricas
de celulose são também grandes consumidoras de água, com uso
de muitos produtos químicos para o branqueamento da celulose,
tendo sempre presente o risco de acidentes ambientais e a
poluição dos rios e do ar.
-
Desaparecimento de plantas e animais, com redução e perda de
variedades genéticas de várias espécies de plantas e animais.
-
Destruição
das matas e redução da biodiversidade
da
flora e da fauna do Pampa Gaúcho, que se estima existir mais
de 3 mil espécies na região entre as quais estão pelo menos
450 gramíneas forrageiras e 150 leguminosas também
forrageiras.
-
Surgimento
de pragas em número cada vez maior e cada vez mais forte, das
quais os próprios venenos já não conseguem mais combater.
-
Concentração
das terras em poucas mãos.
-
Crescimento
desordenado das periferias urbanas e desemprego em massa.
-
Controle da
agricultura por um pequeno grupo de multinacionais que definem
seus rumos (da agricultura).
-
Dependência
econômica a um tipo único de produção.
-
Êxodo rural,
porque os/as pequenos/as agricultores/as vão sendo cercados e
isolados pelas monoculturas do eucalipto, pinus e acácia;
-
Fecham-se
escolas;
-
Problemas de
saúde, alergias... pelo uso indiscriminado dos agrotóxicos na
produção.
-
Perca do
emprego (peões de pequenas fazendas, que acabam sendo
vendidas).
-
Cada 185
hectares gera 1 emprego.
-
Pouca
utilização da mão-de-obra, devido a mecanização da produção.
-
Erosão,
acidificação e degradação da fertilidade dos solos, exigindo
grandes investimentos de recuperação posterior à colheita.
Compactação do solo pelo uso de máquinas pesadas.
-
Diminuição
da circulação de dinheiro nas cidades e municípios locais.
-
A empresa
Aracruz Celulose tem se caracterizado por práticas
anti-sociais como a agressão aos guaranis e quilombolas no
estado do espírito Santo que resultou em prisões, agressões e
ferimentos, além de destruição e transferência de comunidades
de seus locais de origem.
-
Apoio
político e financeiro dos governos, instituições públicas e
mídia.
-
70% da
destruição da camada de ozônio são da responsabilidade do
Agronegócio, devido a destruição e poluição do ambiente.
3.5 - CELULOSE NO URUGUAI
-
Em 30 anos
de plantio da monocultura de árvores, desapareceram cerca de
20.000 estabelecimentos rurais e 128.000 pessoas foram
obrigadas a abandonar o campo.
-
Se estima
que a área ocupada pelas empresas de celulose já chega a
alcançar 17% da superfície rural / total do país.
-
Cerca de
647.680 hectares estão dedicados ao monocultivo de eucaliptos
e pinus. Destes, 385.000 são de propriedade de 09 Sociedades
(empresas) Anônimas Estrangeiras, que pertencem a empresas
multinacionais, entre elas a BOTNIA e ENCE.
-
Entre 1988 e
2000 estes monocultivos receberam 500 milhões de dólares em
subsídios do Governo do Uruguai, além de subsídios ambientais.
-
A Corporação
Financeira Industrial do banco Mundial, é uma das possíveis
financiadoras destes empreendimentos industriais.
-
Em relação
ao conflito Binacional, o representante do Comércio Exterior
da União Européia, Peter Mandelson, criticou a posição da
Argentina, advertindo e dizendo que a empresa Botnia é uma
vítima inocente do conflito entre os países.
4.
DADOS DA POBREZA NO BRASIL
-
32% da
população brasileira é miserável (IBGE 1995/96). Ainda o IPEA
(1992, Instituto de Pesquisa Aplicada), mostra que 57,1% da
população do campo é considerada pobre (valor calculado sobre
meio salário mínimo) e 27% está no meio urbano.
-
O número de
miseráveis passou no ano 1995 a 2002, para mais de 50 milhões
de pessoas, somando
um total de 32% da população. (IBGE de 1995/6).
-
Entre as
pessoas empobrecidas brasileiras, cerca de 44,1% de negros e
20,5% de brancos.
-
20% da
população mais pobre possuía 2% da riqueza no Brasil, enquanto
que 10% da população mais rica, possuía 53,2% da riqueza (IBGE
1990).
-
O número do
desemprego chegou a 20% da população economicamente ativa no
país entre 1995 e 2002.
5.
DADOS DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
5.1 - NO MUNDO:
-
Pelo menos
uma em cada três mulheres já foi espancada, forçada a ter
relações sexuais ou submetida a alguma outra forma de abuso em
sua vida.
-
A
Organização Mundial de Saúde informou que até 70% das vítimas
femininas de assassinato são mortas pelos respectivos
parceiros masculinos.
-
O Conselho
da Europa declarou que a violência doméstica é a causa
principal de morte e invalidez de mulheres entre 16 e 44 anos,
sendo responsável por maior número de mortes e de problemas de
saúde que o câncer ou os acidentes de trânsito.
-
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) tem revelado que os maridos
ou namorados são responsáveis por quase 50% das mulheres
assassinadas. A Violência responde por aproximadamente 7% de
todas as mortes de mulheres entre 15 a 44 anos no mundo todo.
Em alguns países, até 69% das mulheres relatam terem sido
agredidas fisicamente e até 47% declaram que sua primeira
relação sexual foi forçada.
5.2 - NO BRASIL:
-
Pesquisa
publicada em 2001, pela fundação Perseu Abramo, estima que
2,1
milhões de
mulheres são espancadas por ano no Brasil, 175 mil por mês,
5,8 mil por dia, 243 por hora, 04 por minuto, uma a cada 15
segundos e que 6,8 milhões de mulheres brasileiras já foram
espancadas ao menos uma vez em sua vida.
-
Conforme
dados do boletim Epidemiológicos Aids/2003 do Ministério da
Saúde apontam que, no país, o HIV/AIDS já atingiu 258 mil
pessoas: 73 mil mulheres e 185 mil homens. Entre as mulheres,
55% têm de 20 a 29 anos.
-
O número de
crianças na prostituição, no Brasil, está entre 500 mil a 2
milhões. (Faria e Poulin, 2005).
-
Redes de
tráfico: foram detectadas 241 redes de tráfico de
mulheres e meninas para fins de exploração sexual comercial no
Brasil, que se distribuem nas regiões norte, nordeste,
sudeste, centro-oeste e sul.
5.3 - NO RIO GRANDE DO SUL:
Foram
registrados em 2002:
-
Contra
crianças:
723 atentados violentos contra o pudor; 143 crimes contra os
costumes; 597 desaparecimentos; 330 estupros; 53
homicídios; 1.863 lesões corporais; 813 maus tratos.
-
Abusadores:
em 71% dos casos de abuso sexual é
intrafamiliar, sendo o pai 44%, o padrasto 17% e o tio 10%.
-
Contra
adolescentes:
282 atentados violentos ao pudor; 385 crimes contra costumes;
2.427 desaparecimentos; 719 estupros; 125 exploração sexual;
80 homicídios; 264 maus tratos.
-
Contra
mulheres camponesas:
-
27% das
mulheres camponesas sofreram ou sofrem violência física,
predominando a incidência de empurrões, tapas e socos
(pesquisa realizada no ano de 2005, com 170 mulheres
camponesas).
-
Das 170
mulheres pesquisadas, 45.8% delas sofreram agressão
moral/verbal através de: palavrões; 45.9%, deboche; 37.5%,
acusações; 29.5%, calúnias; 13.5, foram chamadas de
prostitutas; 29.5%, de burra e 27.5%, chamadas de vagabundas.
-
Violência
psicológica:
na mesma pesquisa, 19.5% sofreram ameaças de surra; 17.5% de
mandar embora; 16.5% de arrumar outra mulher; 13.5% ameaças de
morte; 32.7% foram proibidas de sair de casa ou sair só quando
o marido deixa; 13% proibidas de passear; 11% proibidas de ir
a festas; 5.5% proibidas de ir a Igreja; 13% proibidas de ir
as reuniões do MMC/RS; 4.5% proibidas de viajar e 11.7% só
podem usar as roupas que o marido gosta.
-
54,5% das
mulheres camponesas são obrigadas a praticar atos sexuais que
não desejam (estupro). Dados da pesquisa, 2005 (com 170
mulheres camponesas).
-
Pesquisa em
Passo Fundo (1983 a 1986) mostra que de 300 casos de má
formação dos bebês analisados,
em
120 deles, as mães tiveram contato direto com o agrotóxico.
Destes, foram 33% dos casos apresentaram má formação
neurológica, 30% apresentaram má formação gástrica e 37%
apresentaram má formação óssea.
6.
DADOS DA AGRICULTURA CAMPONESA
-
É
responsável por 70% da produção de alimentos do Brasil e
recebeu somente 20 bilhões de recursos públicos.
-
Ocupa 30% da
área agricultável, recebe somente 23,3% dos financiamentos,
mas é responsável por 37,9% do valor bruto da produção.
-
Gera 1
emprego a cada 5 hectares de terra, ocupando a força de
trabalho do núcleo familiar.
-
100% da
produção vai para a mesa da/o trabalhadora/or, o que significa
75% da alimentação da população.
-
É
responsável pela diversificação da produção de alimentos e
pela conservação da biodiversidade, tendo as mulheres papel
fundamental nesta preservação bem como na própria economia
familiar.
-
Recebe hoje
apenas 09 bilhões de reais, para 02 milhões de famílias.
-
Número de
população (Brasil, cidade, campo).
6.1- PESQUISA REALIZADA NO RIO GRANDE DO SUL
DEMONSTRA
Pesquisa
realizada no ano de 2005, com 317 mulheres, pertencentes a 121
grupos de base do Movimento de Mulheres Camponesas de 42
municípios do Estado do Rio Grande do Sul, demonstra:
-
Área
ocupada:
90,2%, trabalham uma área total de: 4.061,46 ha
(ou) 40.614,550 m² com uma media de 14,2 ha/mulher camponesa.
Dentro desta área, dividem o espaço entre as seguintes
diversidades:
-
Mata Nativa
e capoeira:
80,4% das entrevistadas, possuem cerca de 3,37 ha/camponesa de
matas nativas e capoeiras em suas propriedades.
-
Construções
(casa, galpão, estrebaria,outros): 84,2% das entrevistadas,
possuem uma área de 330 ha (ou) 3.298,512 m², com uma media
de 1.2ha/camponesa.
-
Plantio de
flores e jardim:
66,9% das entrevistadas possuem uma área total de 11,24ha (ou)
112.348m² com uma media de 530m²/camponesa.
-
Hortaliças/horta:
85,2%das entrevistadas possuem uma área de 10,9ha (ou)108.819
m² com uma media de 403m² /camponesa.
-
Plantas
medicinais:
56,8%das entrevistadas possuem uma área de 5,12ha (ou)51.237
m² com uma media de 285m² /camponesa.
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Pomar de
diversos tipos de frutas:
74,5%das entrevistadas possuem uma área de 59,7ha (ou) 596.840
m² com uma media de 2.533m² /camponesa.
-
Pastagem:
74,1% das entrevistadas possuem uma área de 340,68ha com uma
media de 1,4ha /camponesa.
-
Potreiro/grama fixa:
84,5% das
entrevistadas possuem uma área de 557,3ha com uma media de 2ha
/camponesa.
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Plantação de
soja, milho, fumo:
81,7%das entrevistadas possuem uma área de 1701,55ha com uma
media de 6.6ha /camponesa.
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Arroz, cana,
mandioca, feijão, amendoim:
71,6%das entrevistadas possuem uma área de 217,25ha com uma
media de 1ha /camponesa.
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Moranga,
abóbora, pepino, tomate, cebola, chuchu, batata-doce,
batatinha:
55,2%das
entrevistadas possuem uma área de 77,83ha (ou) 778.337 m² com
uma media de 4.447m² /camponesa.
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