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08/03/2007
Dados sobre a conjuntura da agricultura e da realidade das mulheres camponesas

1. DADOS AGRONEGÓCIO

  • 84% das vendas globais dos agrotóxicos, são dominadas por 10 empresas transnacionais, são elas: Bayer, Syngenta, BASF, Dow, Monsanto, Dupont, Koor, Sumitomo, Nufarm e Arista. No entanto, devido a tal nível de concentração, os analistas prevêem que nos próximos períodos somente sobreviverão três empresas, provavelmente a Bayer, Syngenta e Basf.

  • As corporações de alimentos e bebidas são as maiores compradoras de matéria-prima agrícola. Alguns exemplos de grandes empresas processadoras de alimentos no mundo: Nestlé, Philip Morris, ConAgra Inc., Unilever, Coca-cola Co., Pepsi Co.

  • Na década de 1970, existiam mais de 7.000 empresas produtoras de sementes. Em 2003, as dez maiores empresas já controlavam 1/3 do mercado mundial. Em 2005, as mesmas dez empresas controlavam metade do mercado mundial de sementes.

  • A multinacional Monsanto é a maior empresa de venda de sementes comerciais. Outras gigantes da produção de sementes são Syngenta, Bayer Crop, Science, Delta & Pine, Nidera, Pioneer e Agrow Science.

  • A Monsanto, em 2006, aumentou de 35% para 39% sua participação no mercado do milho híbrido. Desde 1998, introduziram no mercado Argentino seus híbridos e hoje respondem por 57% dos 70% do milho geneticamente  modificado no país (1,5 milhão de hectares, do total de 3,1 milhões de hectares).

  • Em 2000, cinco transnacionais controlavam mais de 75% do comércio mundial de grãos.

  • Na década de 1960 consumíamos em nossa alimentação cerca de 35 grãos, hoje a prioridade do consumo é de somente 5 variedades de grãos (trigo, milho, soja, arroz e feijão) que são as grandes monoculturas.

  • A Bunge controla toda a cadeia de produção de grãos, desde a produção, transporte, industrialização e comercialização.

  • A Bayer é dona de fábricas de venenos e medicamentos e, ao mesmo tempo, também controla a produção de sementes.

  • De 2003 a 2005 o agronegócio recebeu diretamente cerca de 115 bilhões de reais em forma de crédito rural do Governo Federal, além de infra-estruturas e dinheiro dos próprios agricultores com a venda de sementes e venenos.

  • As empresas de celulose no Brasil concentram 3 milhões de hectares de terra com plantações de eucaliptos, pinus e acácia. No ano de 2004, 97% da produção foi para a exportação.

  • No Brasil, são usadas mais de 500 mil toneladas de agrotóxicos por ano nas lavouras. Isto é igual a quinhentos milhões de litros de venenos/ano, sendo uma tonelada e meia de embalagens desses agrotóxicos.

  • O grupo Cargil controla 96% do mercado de sementes de milho no mundo.

 

2. NÚMEROS DO HIDRONEGÓCIO

  • 70% do setor energético do Brasil pertence a empresas multinacionais ou transnacionais, sendo apenas 30% pertencente a empresas brasileiras.

  • Mais de um milhão de pessoas foram expulsas de suas terras para construção de barragens no Brasil.

  • 70% das famílias que foram expulsas por construções de barragens não receberam indenização nenhuma por suas terras e não foram reassentados.

  • Mais de 34 milhões de hectares de terras estão cobertas por água nos reservatórios que são de empresas privadas.

 

3. DADOS DA PRODUÇÃO DE CELULOSE

3.1 - AS EMPRESAS

A - Aracruz Celulose S.A.

  • Atualmente é a maior produtora de celulose branqueada de eucalipto no mundo, com 35% da produção mundial, cerca de 2,4 milhões de toneladas/ano.

  • Utiliza exclusivamente plantio de eucalipto para produzir celulose de fibra curta de alta qualidade para produzir um grande número de produtos de alta qualidade, como papel para imprimir e escrever, todos de alto valor agregado.

  • O lucro da empresa Aracruz Celulose e Papel nos últimos 4 meses de 2006 foi de 296 milhões de reais, 65% a mais do que no ano de 2005.

  • A Unidade de Guaíba (RS), no terceiro trimestre de 2005, teve uma produção de papel de 14 mil toneladas, que representa o consumo de 12 mil toneladas de celulose, aqui produzidas.

  • Para a instalação das fábricas, a Aracruz recebeu 337 milhões de dólares do BNDES. Em 2006 recebeu mais 297 milhões, além da infra-estrutura necessária.

  • Até março de 2006, a empresa quer ampliar sua capacidade instalada das atuais 400 mil toneladas para 430 mil toneladas/ano de celulose branqueada de eucalipto na unidade de Guaíba. Até 2007, a fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro (RS), vai aumentar a produção de mudas de eucalipto dos atuais 10 milhões para 30 milhões por ano. Provavelmente, será este o viveiro que fornecerá as mudas para a Stora Enso em sua fase inicial de plantio no Estado, parceira da Aracruz na VERACEL.

  • O preço líquido médio da celulose vendida diretamente pela Aracruz foi de R$ 1.194/t, no terceiro trimestre, 11% menor que o recebido no mesmo período de 2004.

  • A mesma empresa possui 263 mil hectares de terra própria no Espírito Santo, além de mais 81 mil hectares consorciados com agricultores/as. As empresas Aracruz, Votorantin Papel e Celulose e Stora Enso, pretendem plantar no Rio Grande do Sul um milhão de hectares até o ano de 2010.

Acionistas da empresa Aracruz, que seria uma empresa brasileira:

  • 28% das ações da Aracruz Celulose são de propriedade do grupo Lorentzen, da Noruega (multinacional).

  • 28% das ações são do banco Safra, cuja sede é no Principiado de Mônaco, na Itália.

  • 28% das ações são da Empresa Votorantin, que controla o mercado de cimento no Brasil e grande investidora em construção de barragens.

  • 12,5% das ações são do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do governo brasileiro. O restante das ações está nas mãos de pequenos acionistas, entre eles a Empresa Souza Cruz, exploradora dos/as plantadores/as de fumo.

 

B -  Votorantin Celulose e Papel – VCP

  • Suas vendas de papel e celulose no terceiro trimestre de 2005 somaram 378 mil toneladas, 19% superior ao mesmo trimestre de 2004. O lucro líquido do terceiro trimestre de 2005 foi de R$ 114 milhões.

  • A partir de seus planejamentos foram realizados fortes investimentos na área florestal, incluindo a aquisição de terras e o plantio de eucalipto no Estado de São Paulo, em regiões próximas às fábricas, e a implantação de uma nova reserva florestal da VCP no Sul do Estado do Rio Grande do Sul (podendo eventualmente incluir o norte do Uruguai), com a compra já efetuada de 66 mil hectares de terras.

  • A VCP comercializa seus produtos no mercado interno e exporta para mais de 55 países, nos cinco continentes.   

A estratégia da VPC no RS

  • Já adquiriu 66 mil hectares em 14 municípios da Metade Sul do Estado. O pólo do monocultivo de árvores e a unidade industrial da VCP irão se localizar no eixo Rio Grande - Pelotas - Arroio Grande, expandindo-se até Bagé.

  • A projeção da empresa é de produção de 3 milhões de metros cúbicos de madeira em 2011 e de 4,2 milhões em 2012. Para atingir esta meta, é projetado o plantio de 100 mil hectares de eucalipto até 2011, sendo que deste total 30% deve ter origem na produção de terceiros, através do programa lançado pela empresa de "Poupança Florestal".

  • Até o final de 2005 foram investidos R$ 310 milhões na aquisição de terras, na contratação e treinamento de pessoal para a construção do maior viveiro coberto do país.

 

C - Stora Enso

  • Empresa sueco-finlandesa, uma das líderes mundiais na produção e comercialização de papel, celulose (produtos florestais).

  • O faturamento foi de 12,4 bilhões de Euros em 2004. A Stora Enso emprega cerca de 45 mil pessoas, em mais de 40 países, nos cinco continentes.

  • Sua capacidade anual de produção é de 16,4 milhões de toneladas de papel e papelão, 7,7 milhões de metros cúbicos de madeira cerrada, incluindo 3,2 milhões de metros cúbicos de produtos com alto valor agregado.

  • O fornecimento de mudas até 2007 será feito por terceiros, quando então estará construído o viveiro próprio. A meta da Stora Enso é plantar 100 mil hectares de eucalipto e pínus, sendo que 20% será em parceria com terceiros a nível local.

 

3.2 - INVESTIMENTOS PÚBLICOS NAS INDÚSTRIAS DE CELULOSE

  • A empresa Aracruz celulose recebeu em 2006, R$ 595,9 milhões para investir no Estado do Espírito Santo e a Empresa Votorantin, 23,4 milhões para investir no estado do Rio Grande do Sul. Parte será usada para expandir áreas de plantio de eucalipto, ampliando em 9% a área própria da empresa Aracruz (77,9 mil hectares) e de 26 mil hectares de fomento (parceria no plantio de eucalipto em terras de pequenos produtores rurais). Acionista das principais empresas de celulose do país, o BNDES investe R$ 2 bilhões no setor, 43% a mais do que em 2005.

  • De 2003 a 2005 as empresas do agronegócio receberam 115 bilhões em créditos ao passo que a agricultura camponesa recebeu apenas 20 bilhões.

 

3.3 - AS ESTRATÉGIAS MACROECONÔMICAS DAS EMPRESAS

  • As empresas na sua maioria são verticalizadas, integrando todas as etapas do processo produtivo, desde a base florestal, industrialização e comercialização de papel e produtos derivados.

  • De forma geral, três quartos da celulose produzida a partir da madeira é processada dentro da indústria e destinada à produção de papel. Da celulose se extraem dois grandes grupos de produtos, a celulose de fibra longa de alta resistência mecânica para a produção de embalagens e a celulose de fibra curta destinada à produção de papel para imprimir e escrever.

  • No mercado mundial, 44% é de pasta de celulose de fibra longa e 42% de fibra curta. Esta relação poderá se alterar rapidamente em função do avanço tecnológico, novos usos da fibra curta de eucalipto, os menores custos na produção de fibra curta de eucalipto, o preço superior na produção da fibra longa e as restrições de retirada de madeira das florestas americanas, tem impulsionado os investimentos das empresas para a produção de fibra curta.

  • As vantagens comparativas na base florestal e para a produção de pasta de celulose no hemisfério Sul, principalmente as condições climáticas com ciclo de corte de 5 a 7 anos para as árvores de  eucalipto, inferior as do hemisfério Norte que varia de 25 a 35 anos para o pínus e menor valor das terras para o plantio. O Brasil tem ainda acúmulo tecnológico em manejo de florestas plantadas.

  • As vantagens competitivas do hemisfério Sul levaram ao fechamento de muitas empresas no hemisfério Norte, transferindo seus ativos para o Sul, comprando empresas aqui ou fazendo parcerias (VERACEL).

  • O Brasil é responsável por 18% da produção mundial de fibra curta branqueada de eucalipto, sendo desta forma, o maior produtor mundial. Em 2002, os dez maiores produtores de celulose eram Estados Unidos (29%), Canadá (14%), China (9%), Finlândia, Suécia e Japão (6%), Brasil e Rússia (4%), Indonésia (3%) e Chile (1%).

  • O setor de papel e celulose no Brasil é constituído de 220 empresas, com produção estimada em 2004 de 9,5 milhões de toneladas de celulose e 8,2 milhões de toneladas de papel.

  • Todos os indicadores apontam para um cenário de crescimento positivo em torno do mercado de celulose, de no mínimo 2% ao ano, de forma firme, alem de estar associado ao crescimento do PIB mundial, com preços estáveis, especialmente a celulose de eucalipto que continuará crescendo nos próximos anos em função da popularização dos instrumentos de cópia e impressão disponibilizados pela era da informática.

  • A produção de papel para imprimir e escrever na Europa Ocidental durante os meses de julho e agosto de 2005 ultrapassou os níveis de 2004 em 3,6% (203 mil toneladas). As vendas de celulose durante os meses de julho e agosto no Europa Ocidental cresceram 3,5% (209 mil toneladas) em comparação a 2004. No mesmo período, as vendas de celulose de eucalipto alcançaram 1,4 milhões de toneladas, um aumento 7% (93 mil toneladas) em relação a 2004. As maiores perspectivas de crescimento do mercado mundial de celulose estão nos países asiáticos.

  • Os grandes grupos econômicos nacionais e internacionais da cadeia florestal, pensando principalmente em grandes fábricas de celulose, especialmente de eucalipto, voltam-se para a metade sul do RS, mas também, articulando-se com o pampa Uruguaio e Argentino, bem como o Sul do Chile, formando no Cone Sul da América do Sul um grande pólo florestal pelas seguintes razões:

  • Vantagens comparativas em relação ao hemisfério Norte, já citadas anteriormente.

  • Mercado mundial de madeira e celulose (cadeia florestal) em expansão, apontando que nos próximos 50 anos, este marcado não sofrerá grandes percalços. 

  • No caso do Brasil, estudos indicam que desde 2004 a demanda por madeira é maior do que a oferta e esta situação poderá perdurar no mínimo até 2020.

  • Infra-estrutura de estradas, portos, telecomunicações, mas principalmente pela existência de água abundante (Lagoa dos Patos, Mirim e rio Uruguai), exigida pelo processo de branqueamento do papel por cloro.

  • Condições favoráveis do terreno, permitindo uma mecanização completa de todo o processo, bem como a existência de um pólo da indústria de máquinas agrícolas no RS.

  • Frente à situação de estagnação econômica da região Sul, estas propostas acabam por se transformar em espécie de salvação milagrosa para a região.

  • Recebem apoio político do governo do Estado e de quase todos os setores empresariais da região, tendo portanto pouca resistência, com exceção do setor dos ambientalistas e algumas vozes nas universidades.

  • A produção de eucalipto, durante seu desenvolvimento vegetativo, faz captura de  carbono, numa média de 10 milhões de toneladas por hectares ao ano, que as empresas poderão no futuro trocar por créditos de carbono, com base no protocolo de Kioto.

  • As empresas estavam pagando inicialmente pelas terras R$ 3.5 mil por hectare, atualmente estão pagando R$ 2,8 mil. O INCRA está operando na faixa de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil por hectare, conforme as características de cada propriedade.

 

3.4 - IMPACTOS AMBIENTAIS, SOCIAIS E ECONÔMICOS DECORRENTES DA PRODUÇÃO DE CELULOSE.

  • Informações da Associação Brasileira de Florestas Plantadas (ABRAFLOR), afirmam que durante um ano o consumo de água do eucalipto varia de 800 a 1200 litros por metro quadrado. Também informa que para produzir um quilo de madeira de eucalipto são necessários 350 litros de água.

  • A precipitação de chuva nos últimos anos tem sido 20% menor que o consumo que uma grande plantação de eucaliptos necessita.

  • O eucalipto tem alto consumo de água, pois tem uma grande evapotranspiração, podendo ressecar o solo, secar olhos d’água, baixar o lençol freático, secar banhados, diminuir a água dos pequenos córregos e riachos, etc.

  • Mais de 270 riachos secos.

  • Seca poços artesianos de até 30 metros de profundidade, deixando a população local sem água.

  • As fábricas de celulose são também grandes consumidoras de água, com uso de muitos produtos químicos para o branqueamento da celulose, tendo sempre presente o risco de acidentes ambientais e a poluição dos rios e do ar.

  • Desaparecimento de plantas e animais, com redução e perda de variedades genéticas de várias espécies de plantas e animais.

  • Destruição das matas e redução da biodiversidade da flora e da fauna do Pampa Gaúcho, que se estima existir mais de 3 mil espécies na região entre as quais estão pelo menos 450 gramíneas forrageiras e 150 leguminosas também forrageiras. 

  • Surgimento de pragas em número cada vez maior e cada vez mais forte, das quais os próprios venenos já não conseguem mais combater.

  • Concentração das terras em poucas mãos.

  • Crescimento desordenado das periferias urbanas e desemprego em massa.

  • Controle da agricultura por um pequeno grupo de multinacionais que definem seus rumos (da agricultura).

  • Dependência econômica a um tipo único de produção.

  • Êxodo rural, porque os/as pequenos/as agricultores/as vão sendo cercados e isolados pelas monoculturas do eucalipto, pinus e acácia;

  • Fecham-se escolas;

  • Problemas de saúde, alergias... pelo uso indiscriminado dos agrotóxicos na produção.

  • Perca do emprego (peões de pequenas fazendas, que acabam sendo vendidas).

  • Cada 185 hectares gera 1 emprego.

  • Pouca utilização da mão-de-obra, devido a mecanização da produção.

  • Erosão, acidificação e degradação da fertilidade dos solos, exigindo grandes investimentos de recuperação posterior à colheita. Compactação do solo pelo uso de máquinas pesadas.

  • Diminuição da circulação de dinheiro nas cidades e municípios locais.

  • A empresa Aracruz Celulose tem se caracterizado por práticas anti-sociais como a agressão aos guaranis e quilombolas no estado do espírito Santo que resultou em prisões, agressões e ferimentos, além de destruição e transferência de comunidades de seus locais de origem.

  • Apoio político e financeiro dos governos, instituições públicas e mídia.

  • 70% da destruição da camada de ozônio são da responsabilidade do Agronegócio, devido a destruição e poluição do ambiente.

 

3.5 - CELULOSE NO URUGUAI

  • Em 30 anos de plantio da monocultura de árvores, desapareceram cerca de 20.000 estabelecimentos rurais e 128.000 pessoas foram obrigadas a abandonar o campo.

  • Se estima que a área ocupada pelas empresas de celulose já chega a alcançar 17% da superfície rural / total do país.

  • Cerca de 647.680 hectares estão dedicados ao monocultivo de eucaliptos e pinus. Destes, 385.000 são de propriedade de 09 Sociedades (empresas) Anônimas Estrangeiras, que pertencem a empresas multinacionais, entre elas a BOTNIA e ENCE.

  • Entre 1988 e 2000 estes monocultivos receberam 500 milhões de dólares em subsídios do Governo do Uruguai, além de subsídios ambientais.

  • A Corporação Financeira Industrial do banco Mundial, é uma das possíveis financiadoras destes empreendimentos industriais.

  • Em relação ao conflito Binacional, o representante do Comércio Exterior da União Européia, Peter Mandelson, criticou a posição da Argentina, advertindo e dizendo que a empresa Botnia é uma vítima inocente do conflito entre os países.

 

4. DADOS DA POBREZA NO BRASIL

  • 32% da população brasileira é miserável (IBGE 1995/96). Ainda o IPEA (1992, Instituto de Pesquisa Aplicada), mostra que 57,1% da população do campo é considerada pobre (valor calculado sobre meio salário mínimo) e 27% está no meio urbano.

  • O número de miseráveis passou no ano 1995 a 2002, para mais de 50 milhões de pessoas, somando um total de 32% da população. (IBGE de 1995/6).

  • Entre as pessoas empobrecidas brasileiras, cerca de 44,1% de negros e 20,5% de brancos.

  • 20% da população mais pobre possuía 2% da riqueza no Brasil, enquanto que 10% da população mais rica, possuía 53,2% da riqueza (IBGE 1990).

  • O número do desemprego chegou a 20% da população economicamente ativa no país entre 1995 e 2002. 

        

5. DADOS DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

5.1 - NO MUNDO:

  • Pelo menos uma em cada três mulheres já foi espancada, forçada a ter relações sexuais ou submetida a alguma outra forma de abuso em sua vida.

  • A Organização Mundial de Saúde informou que até 70% das vítimas femininas de assassinato são mortas pelos respectivos parceiros masculinos.

  • O Conselho da Europa declarou que a violência doméstica é a causa principal de morte e invalidez de mulheres entre 16 e 44 anos, sendo responsável por maior número de mortes e de problemas de saúde que o câncer ou os acidentes de trânsito.

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem revelado que os maridos ou namorados são responsáveis por quase 50% das mulheres assassinadas. A Violência responde por aproximadamente 7% de todas as mortes de mulheres entre 15 a 44 anos no mundo todo. Em alguns países, até 69% das mulheres relatam terem sido agredidas fisicamente e até 47% declaram que sua primeira relação sexual foi forçada.

 

5.2 - NO BRASIL:

  • Pesquisa publicada em 2001, pela fundação Perseu Abramo, estima que 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano no Brasil, 175 mil por mês, 5,8 mil por dia, 243 por hora, 04 por minuto, uma a cada 15 segundos e que 6,8 milhões de mulheres brasileiras já foram espancadas ao menos uma vez em sua vida.

  • Conforme dados do boletim Epidemiológicos Aids/2003 do Ministério da Saúde apontam que, no país, o HIV/AIDS já atingiu 258 mil pessoas: 73 mil mulheres e 185 mil homens. Entre as mulheres, 55% têm de 20 a 29 anos.

  • O número de crianças na prostituição, no Brasil, está entre 500 mil a 2 milhões. (Faria e Poulin, 2005).

  • Redes de tráfico: foram detectadas 241 redes de tráfico de mulheres e meninas para fins de exploração sexual comercial no Brasil, que se distribuem nas regiões norte, nordeste, sudeste, centro-oeste e sul.

 

5.3 - NO RIO GRANDE DO SUL:

Foram registrados em 2002:

  • Contra crianças: 723 atentados violentos contra o pudor; 143 crimes contra os costumes; 597 desaparecimentos; 330 estupros; 53 homicídios; 1.863 lesões corporais; 813 maus tratos.

  • Abusadores: em 71% dos casos de abuso sexual é intrafamiliar, sendo o pai 44%, o padrasto 17% e o tio 10%.

  • Contra adolescentes: 282 atentados violentos ao pudor; 385 crimes contra costumes; 2.427 desaparecimentos; 719 estupros; 125 exploração sexual; 80 homicídios; 264 maus tratos.

  • Contra mulheres camponesas:

  • 27% das mulheres camponesas sofreram ou sofrem violência física, predominando a incidência de empurrões, tapas e socos (pesquisa realizada no ano de 2005, com 170 mulheres camponesas).

  • Das 170 mulheres pesquisadas, 45.8% delas sofreram agressão moral/verbal através de: palavrões; 45.9%, deboche; 37.5%, acusações; 29.5%, calúnias; 13.5, foram chamadas de prostitutas; 29.5%, de burra e 27.5%, chamadas de vagabundas.

  • Violência psicológica: na mesma pesquisa, 19.5% sofreram ameaças de surra; 17.5% de mandar embora; 16.5% de arrumar outra mulher; 13.5% ameaças de morte; 32.7% foram proibidas de sair de casa ou sair só quando o marido deixa; 13% proibidas de passear; 11% proibidas de ir a festas; 5.5% proibidas de ir a Igreja; 13% proibidas de ir as reuniões do MMC/RS; 4.5% proibidas de viajar e 11.7% só podem usar as roupas que o marido gosta.

  • 54,5% das mulheres camponesas são obrigadas a praticar atos sexuais que não desejam (estupro). Dados da pesquisa, 2005 (com 170 mulheres camponesas).

  • Pesquisa em Passo Fundo (1983 a 1986) mostra que de 300 casos de má formação dos bebês analisados, em 120 deles, as mães tiveram contato direto com o agrotóxico. Destes, foram 33% dos casos apresentaram má formação neurológica, 30% apresentaram má formação gástrica e 37% apresentaram má formação óssea.

 

6. DADOS DA AGRICULTURA CAMPONESA

  • É responsável por 70% da produção de alimentos do Brasil e recebeu somente 20 bilhões de recursos públicos.

  • Ocupa 30% da área agricultável, recebe somente 23,3% dos financiamentos, mas é responsável por 37,9% do valor bruto da produção.

  • Gera 1 emprego a cada 5 hectares de terra, ocupando a força de trabalho do núcleo familiar.

  • 100% da produção vai para a mesa da/o trabalhadora/or, o que significa 75% da alimentação da população.

  • É responsável pela diversificação da produção de alimentos e pela conservação da biodiversidade, tendo as mulheres papel fundamental nesta preservação bem como na própria economia familiar.

  • Recebe hoje apenas 09 bilhões de reais, para 02 milhões de famílias.

  • Número de população (Brasil, cidade, campo).

 

6.1- PESQUISA REALIZADA NO RIO GRANDE DO SUL DEMONSTRA

Pesquisa realizada no ano de 2005, com 317 mulheres, pertencentes a 121 grupos de base do Movimento de Mulheres Camponesas de 42 municípios do Estado do Rio Grande do Sul, demonstra:

  • Área ocupada: 90,2%, trabalham uma área total de: 4.061,46 ha (ou) 40.614,550 m² com uma media de 14,2 ha/mulher camponesa. Dentro desta área, dividem o espaço entre as seguintes diversidades:

  • Mata Nativa e capoeira: 80,4% das entrevistadas, possuem cerca de 3,37 ha/camponesa de matas nativas e capoeiras em suas propriedades.

  • Construções (casa, galpão, estrebaria,outros): 84,2% das entrevistadas, possuem uma área de 330 ha (ou) 3.298,512 m², com uma media de  1.2ha/camponesa.

  • Plantio de flores e jardim: 66,9% das entrevistadas possuem uma área total de 11,24ha (ou) 112.348m² com uma media de 530m²/camponesa.

  • Hortaliças/horta: 85,2%das entrevistadas possuem uma área de 10,9ha (ou)108.819 m² com uma media de 403m² /camponesa.

  • Plantas medicinais: 56,8%das entrevistadas possuem uma área de 5,12ha (ou)51.237 m² com uma media de 285m² /camponesa.

  • Pomar de diversos tipos de frutas: 74,5%das entrevistadas possuem uma área de 59,7ha (ou) 596.840 m² com uma media de 2.533m² /camponesa.

  • Pastagem: 74,1% das entrevistadas possuem uma área de 340,68ha com uma media de 1,4ha /camponesa.

  • Potreiro/grama fixa: 84,5% das entrevistadas possuem uma área de 557,3ha com uma media de 2ha /camponesa.

  • Plantação de soja, milho, fumo: 81,7%das entrevistadas possuem uma área de 1701,55ha com uma media de 6.6ha /camponesa.

  • Arroz, cana, mandioca, feijão, amendoim: 71,6%das entrevistadas possuem uma área de 217,25ha com uma media de 1ha /camponesa.

  • Moranga, abóbora, pepino, tomate, cebola, chuchu, batata-doce, batatinha: 55,2%das entrevistadas possuem uma área de 77,83ha (ou) 778.337 m² com uma media de 4.447m² /camponesa.

 
 

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