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07/12/2007
Frei Luiz começa
uma nova greve de fome
Gesto
do bispo da diocese de Barra (BA) inicia uma nova fase
do
movimento de resistência à transposição
Fonte, Jornal
Brasil de Fato
Desde
as 10h 30min do dia 27 de novembro, frei Luiz Flávio Cappio,
bispo da diocese de Barra (BA), está em greve de fome. É a
segunda vez que ele recorre ao “jejum”, como prefere dizer,
pelo fim do projeto de transposição do rio São Francisco, pela
aplicação de políticas alternativas de convivência com o
Semi-Árido e pela revitalização da bacia do Velho Chico. A
primeira foi em 2005, e durou 11 dias.
O
bispo está acomodado numa edícula, com quarto, sala e
banheiro, localizada atrás da Capela de São Francisco, no
município de Sobradinho (BA), ao pé da barragem de mesmo nome.
Pra os dias de jejum, a expectativa dele gira em torno do
debate com a população. “Agora há pouco, veio uma classe
inteira de uma escola. O gesto das pessoas que se dirigem ao
local para prestar solidariedade tem sido muito bonito. Espero
que possamos estar aqui, conversando com a população e
mostrando os motivos que me levaram a esse gesto, pois, o mais
importante é atingir a meta”, analisa.
Desde
o anúncio, em janeiro, de que a transposição seria incluída no
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), movimentos
sociais do Semi-Árido promoveram mobilizações contra o início
da construção. Fizeram um acampamento em Brasília (DF),
reuniões em ministérios, enviaram cartas e, quando o Exército
começou, em junho, a tocar o projeto, ocuparam o canteiro de
obras.
Justiça
Depois que o governo obteve o licenciamento ambiental para a
obra, a via institucional que restou para resistir à
transposição é a Justiça. Entretanto, as ações estão paradas,
sem julgamento de mérito, nas mãos de Carlos Alberto Direito,
ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a promotora Luciana Khoury, do Ministério Público da
Bahia, a condução do projeto tem várias ilegalidades e ele não
poderia ter começado. “Se esses processos fossem julgados no
mérito, não teria como a obra continuar. Mas elas continuam e
estão trazendo danos irreversíveis para o meio-ambiente, à
população afetada e também para o erário”, sentencia. |
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