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07/07/2006
Stora enfrenta restrição no
pampa gaúcho
30/06/2006 - No pampa gaúcho,
próximo à fronteira com o Uruguai, a fabricante de papel Stora
Enso se depara com uma questão legal para começar o plantio de
suas florestas. A empresa sueco-finlandesa entrará nos próximos
dias com o pedido de autorização no Conselho de Defesa Nacional
(CDN) para regularizar um lote de terras já adquiridas no Rio
Grande do Sul. Essas fazendas destinadas à formação da base
florestal da companhia estão localizadas a menos de 150
quilômetros de distância da divisa com o Uruguai, uma área
considerada pela legislação brasileira como de segurança
nacional.
Pela
Lei nº 6.634, de 1979, empresas estrangeiras estão proibidas de
possuir propriedades rurais nestas localidades, salvo com
autorização do CDN, um órgão de consulta do presidente da
República para assuntos ligados à soberania nacional e a defesa
do Estado. Sem a posse das terras, a Stora Enso está proibida de
começar a formação de sua base florestal dentro da faixa de
fronteira, uma vez que só com a regularização se obtém a licença
ambiental para o plantio de eucaliptos no Estado.
Apesar
da dificuldade de encaminhar o processo, a empresa está
confiante com o desfecho do caso. O pedido para regularização do
primeiro lote de terras - que soma cerca de 15 mil hectares
situados na faixa de fronteira - deve ser feito nos primeiros
dias de julho. O processo será encaminhado ao CDN por intermédio
da superintendência regional do Incra-RS.
"Não há
uma rotina freqüente para o CDN analisar esse tipo de consulta",
afirmou o diretor da divisão florestal da Stora Enso, João
Borges. Mas otimista, o executivo espera um resultado favorável
do CDN entre 60 a 90 dias. Ele explicou que a expectativa
inicial era que o processo para regularização da posse das
terras fosse mais simples. "Mas, no caso de empresas
estrangeiras, a lista de documentos exigidos é muito mais
complexa", disse Borges. Não tem sido surpresa as empresas de
celulose sofrerem dificuldades em zonas de fronteiras. A
finlandesa Botnia e a espanhola Ence são alvos de constantes
protestos na fronteira do Uruguai com a Argentina. Mas a Stora
Enso enfrenta um problema de outra natureza.
"A
questão é legal, e não ambiental", disse Jackson Müller, diretor
técnico da Fepam, o órgão ambiental do Rio Grande do Sul, que
concede a licença para o plantio. A Stora Enso escolheu oito
municípios na fronteira oeste do Rio Grande do Sul para o início
de sua base florestal. A empresa pretendia comprar 50 mil
hectares em 2005, mas a meta ficou aquém por conta dos problemas
para regularização do registro de posse das fazendas. O
investimento para esta fase do projeto era de US$ 50 milhões.
A meta
revista pela companhia prevê a compra de 65 mil hectares até o
fim de 2006, com o propósito de chegar a um total de 120 mil
hectares ao longo de cinco anos. Deste total, 80 mil hectares
devem ser destinados ao plantio de eucaliptos. A busca da
empresa por novas terras têm sido feita em áreas mais afastadas
do limite da fronteira. De posse definitiva das terras, o
executivo da Stora Enso disse que a intenção é solicitar uma
licença junto à Fepam para plantar numa área de 5 mil hectares
ainda neste ano. "Vamos acelerar o plantio", disse Borges,
lembrando que a época do plantio do eucalipto no Rio Grande do
Sul ocorre entre os meses de maio a outubro.
Fonte: Valor
Econômico, 30/06/2006
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