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07/05/2007
Empresas de celulose
continuam agindo na ilegalidade
Aracruz e VCP
compraram terras nas regiões do Rio Grande do Sul
de maior
restrição ao plantio de pínus e eucaliptos
As regiões do Pampa Gaúcho, as
dunas do litoral e o Canal de São Gonçalo aparecem como as áreas
em que o plantio de pínus e eucalipto deve ser evitado. Já o
Norte do Estado e os Campos de Cima da Serra podem ser
destinados à atividade. Trata-se do estudo de zoneamento
ambiental da silvicultura apresentado pelos técnicos da Fundação
Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) orientando a regulação do
plantio comercial de pínus e eucalipto no Rio Grande do Sul. A
notícia é da Agência Chasque, 4-05-2007.
Eis a
notícia
Técnicos da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam)
apresentaram o zoneamento ambiental da silvicultura nessa
quinta-feira em Porto Alegre. O documento regula o plantio
comercial de pínus e eucalipto no Rio Grande do Sul, apontando
as áreas em que há maior e menor risco ambiental. As regiões do
Pampa Gaúcho, as dunas do litoral e o Canal de Gonçalo aparecem
como as áreas em que o plantio deve ser evitado. Já o Norte do
Estado e os Campos de Cima da Serra podem ser destinados à
atividade.
A
técnica da Fepam, Silvia Pagel, uma das coordenadoras do
zoneamento, explica que a instituição decidiu realizar um estudo
mais completo a fim de criar diretrizes para o plantio comercial
e pínus e eucalipto, que está em expansão no Estado. Ela explica
que o zoneamento ambiental não é um estudo que restringe mas sim
regulamenta a atividade da silvicultura, para que meio ambiente
e empreendedores não sejam prejudicados. Atualmente, existem 500
mil hectares de pínus e eucalipto plantados.
"Acho
que o zoneamento é um instrumento extremamente importante porque
ele agiliza a análise da Fepam para o licenciamento e já
possibilita que o empreendedor saiba de antemão quais são as
limitações que o meio ambiente impõe àquela atividade", diz.
Técnicos da Fepam, da Fudação Zoobotânica e do Departamento de
Florestas e Áreas Protegidas da Sema levaram um ano para
concluir o zoneamento. No final de 2006, o documento foi
entregue à Secretaria do Meio Ambiente, que criou um grupo de
trabalho para avaliar o estudo. O zoneamento pesquisou o solo,
fauna, flora, regime de águas e as caraterísticas
sócio-econômicas de cada uma das 45 unidades de paisagens
naturais em que o Rio Grande do Sul é dividido.
No
final, aponta as áreas de alta, média e baixa restrição para o
plantio de pínus e eucalipto. Também determina zonas de
amortecimento em regiões de banhados remanescentes, sítios
arqueológicos, rotas turísticas e relevos típicos do Estado,
como o Cerro do Jarau.
"Então,
esse estudo foi discutido, ele tem todo uma metodologia, todos
os mapas foram feitos por técnicos dessas instituições com
informações vindas das universidades. Ele é um documento
técnico. Por isso, que a Fepam diz que o documento técnico está
concluído. Estamos abertos a alterações, tanto é que a Fepam
realizará agora em junho quatro audiências públicas e toda a
sociedade poderá se manifestar e trazer propostas no sentido de
qualificar o documento", afirma.
As
empresas do setor da celulose criticam o zoneamento ambiental e
ameaçam não investir no Estado caso o governo demore em liberar
os plantios. Aracruz e Votorantim compraram suas terras nas
regiões de maior restrição, ou seja, onde o plantio não é
aconselhável por gerar grandes impactos ao meio ambiente. A
pressão exercida pelas empresas gerou uma crise no governo de
Yeda Crusius.
Para o
presidente do Sindicato dos Funcionários das Fundações Estaduais
(Semapi), Paulo Mendes, o problema deve ser resolvido pelas
empresas e pelo governo, respeitando o zoneamento. De acordo com
o estudo, apenas 25% da área do Rio Grande do Sul é considerada
de alto risco para a atividade da silvicultura.
"Eles
saíram comprando terra, porque eram as mais em conta, mais
baratas, financiaram uma parte desse estudo e agora não querem
reconhecer o estudo porque deu exatamente contrário de quem
adquiriu as terras", afirma.
Entidades ambientalistas gaúchas anunciaram que irão mover uma
Ação Civil Pública no Ministério Público Estadual caso a
governadora Yeda Crusius revogue o zoneamento através de
decreto. O estudo deverá passar por mais quatro audiências
públicas em junho nas cidades de Santa Maria, Caxias do Sul,
Pelotas e Alegrete e pela aprovação do Conselho Estadual do Meio
Ambiente (Consema) antes de ser implementado.
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