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Veneno no Prato: NÃO
Fonte: fase.org.br
Neste Dia
Mundial da Saúde, 7 de abril, dezenas de organizações e
movimentos sociais lançam a Campanha Permanente contra os
Agrotóxicos e pela Vida.
O Brasil é
o país que mais consome agrotóxicos no mundo desde 2009.
Segundo dados do Sindicato Nacional de Produtos para Defesa
Agrícola, naquele ano foram vendidos legalmente 1 bilhão de
litros destes produtos químicos no Brasil. A quantidade
equivaleria ao uso de 5,2 litros de veneno por brasileiro.
Além disso, um relatório divulgado pelo Ibama no início do
ano mostrou que entre os produtos consumidos em 2009, 98%
eram classificados como altamente perigosos, muito perigosos
ou perigosos. Muitos dos defensivos mais vendidos já foram
proibidos em outros países pelos comprovados danos que
causam à saúde e ao meio ambiente.
Mato
Grosso, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás são,
respectivamente, os maiores consumidores de agrotóxicos no
país. O uso intensivo destes químicos tem íntima relação com
o modelo de agricultura adotado no Brasil: as grandes
lavouras de monocultivos, geralmente para exportação, exigem
seu uso. O fato é agravado pela introdução de culturas
transgênicas, a maioria condicionada ao uso do glifosato.
Hoje, este herbicida representa 76% do mercado de
agrotóxicos no Brasil.
A Campanha
Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida é nacional
começou a ser articulada pela Via Campesina. Participam mais
de vinte movimentos sociais, entidades estudantis e
sindicatos em defesa do direito à alimentação saudável para
todos, da saúde e qualidade de vida do trabalhador e de um
meio ambiente. Entre eles Fase, Fiocruz, Central Única dos
Trabalhadores, Cáritas.
Um novo
modelo
A
engenheira agrônoma Franciléia Paula de Castro trabalha na
Fase Mato Grosso, estado que mais usa agrotóxicos: sozinho
consumiu 105 milhões de litros na safra 2009/10. Ela diz que
a campanha nacional surge como resultado de anos de luta de
diversos atores da sociedade contra o uso destas
substâncias. Agora, ambientalistas, movimentos sociais do
campo e da cidade e pesquisadores resolveram se unir para
alertar a população sobre os problemas causados pelo uso de
venenos nas lavouras. E também para mostrar que há saídas.
“Neste Dia
Mundial da Saúde a campanha será lançada em nível nacional
por mais de vinte entidades. A idéia é seguir mobilizando
nos estados para denunciarmos os problemas causados pelo uso
dos agrotóxicos. E mostrar também que há outro modelo, o da
agroecologia, que permite a produção de alimentos saudáveis,
garantindo a segurança alimentar”, explica Franciléia.
A
agroecologia é uma proposta de agricultura que não se limita
a produção sem o uso de agrotóxicos. A idéia central é o
respeito às diversidades locais e à convivência com os
ecossistemas. Relações justas de comercialização, trabalho e
gênero também fazem parte do modelo agroecológico. A
diversificação da produção, associada à utilização de
técnicas de manejo sustentável do solo e dos recursos
hídricos e a baixa dependência de insumos externos garantem
a produção de alimentos saudáveis e nutritivos.
Relatório
divulgado recentemente pelas Nações Unidas apontou que a
agroecologia é a saída para alimentar 9 bilhões de pessoas
no mundo em 2050. O relatório foi feito a partir da revisão
de trabalhos científicos e desmistifica a crença depositada
pelo senso comum sobre os químicos. No Brasil, a Fase faz
parte de uma grande articulação que reúne movimentos, redes
e organizações engajadas em experiências concretas de
promoção da agroecologia. A Articulação Nacional de
Agroecologia, busca o fortalecimento da produção familiar e
de construção de alternativas sustentáveis de
desenvolvimento rural.
Franciléia
também destaca que no campo os efeitos negativos do uso de
agrotóxicos são mais visíveis por razões como as
intoxicações que sofrem os trabalhadores. Já na cidade, a
luta contra o uso de venenos que contaminam os alimentos é
mais difícil. “É como se fosse um agente invisível, mas
sabemos que os efeitos negativos sobre a saúde da população
vão surgindo ao longo dos anos”, comenta, explicando que
este é mais um motivo para trabalhar com a conscientização.
Campeão no
uso de agrotóxicos
No Mato
Grosso, onde foram consumidos 105 milhões de litros de
agrotóxicos na safra 2009/10, a Campanha Permanente contra
os Agrotóxicos e pela Vida vai ser lançada oficialmente
apenas em 5 de junho, Dia do Meio Ambiente. O lançamento vai
ser marcado por um grande seminário organizado pelo Grupo de
Intercâmbio em Agricultura Sustentável (Gias), que é
composto por mais de dez entidades, entre elas a Fase.
Franciléia lembra, contudo, que apesar da campanha ainda não
estar lançada oficialmente no estado são antigas e numerosas
as denúncias sobre os problemas causados por agrotóxicos na
região. Recentemente, inclusive, uma pesquisa da
Universidade Federal do Mato Grosso mostrando a contaminação
do leite materno por agrotóxicos em Lucas do Rio Verde
chamou a atenção de todo o país.
Segundo
Franciléia, a expansão de áreas agricultáveis, o crescimento
no uso de sementes transgênicas e a isenção de pagamento do
ICMS para agrotóxicos são alguns dos motivos pra o constante
aumento no uso destes venenos no estado. Ela explica ainda
que o agronegócio exerce constante pressão contra a
agroecologia em todo o Brasil. “Outro problema é a falta de
políticas públicas para fomentar a agroecologia na região”,
comenta.
Atividades
em Brasília
Para o
lançamento da campanha permanente, uma marcha passará pelo
Ministério da Saúde, da Agricultura e pelo Congresso
Nacional com o objetivo de fazer dos agrotóxicos um debate
público. A marcha em Brasília também é em protesto contra o
projeto de novo Código Florestal que deve ser votado em
breve no Congresso, com apoio de ruralistas.
Ainda será
realizada uma audiência pública na Câmara Federal sobre
agrotóxicos e a saúde dos trabalhadores. Participarão do
debate integrantes da Via Campesina, Fórum Brasileiro de
Combate aos Efeitos dos Agrotóxicos e Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa).
Campanha
Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida
Secretaria Operativa
Fone: (11) 3392 2660 |