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Anvisa, CNA e pequenos agricultores
divergem sobre uso de
agrotóxicos
Brasil é o país que mais usa
defensivos agrícolas no mundo, produtos que podem provocar
mutações genéticas entre outros efeitos negativos.
Beto Oliveira
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Participantes de audiência pública da Comissão de
Seguridade Social e Família, nesta quinta-feira,
divergiram radicalmente sobre o uso de agrotóxicos
no Brasil.
Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura
(CNA) defendeu a modernização do uso desses insumos,
um representante da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e uma deputada apontaram os
efeitos negativos para a saúde humana. Já o
representante dos pequenos agricultores defendeu o
fim do uso dos agrotóxicos.
O
tema foi discutido como parte do Dia Mundial da
Saúde, comemorado hoje. Na audiência, foi ressaltada
a influência dos agrotóxicos na qualidade de vida
dos brasileiros.
O
Brasil é o país que mais consome esses produtos no
mundo. Foram usados cerca de 1 bilhão de litros em
2009, segundo dados do Sindicato Nacional para
Produtos de Defesa Agrícola. |

O deputado Padre João
preside subcomissão que analisa o uso de agrotóxicos
no País. |
Consequências neurotóxicas
De acordo
com o diretor da Anvisa José Agenor Álvares, os agrotóxicos
podem provocar tontura e dor de cabeça, consequências
conhecidas como neurotóxicas. “São questões neurológicas ou
mutagênicas, que podem alterar alguns genes das pessoas.”
Segundo
dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 115 pessoas
morreram contaminadas com agrotóxicos e quase 4 mil ficaram
intoxicadas com o produto em 2009. Pesquisas da Anvisa
também mostram contaminação acima da permitida por lei em
alguns alimentos, como o pimentão.
Um estudo
divulgado no mês passado, mostrando que a contaminação por
agrotóxicos vai além da alimentação, preocupa a deputada
Celia Rocha (PTB-AL). Segundo ela, “pesquisadora da
Universidade Federal do Mato Grosso detectou no leite de 62
mulheres a presença de dois a seis tipos de agrotóxicos,
inclusive um proibido no Brasil desde 1999”.
Fim dos
agrotóxicos
O
representante da Secretaria Nacional do Movimento dos
Pequenos Agricultores, Valter Israel, lembrou que o Dia
Mundial da Saúde marcou o lançamento de uma campanha
permanente contra o uso de agrotóxicos.
Ele
ressaltou que é possível produzir de maneira diferente. “A
nossa discussão não é a do agrotóxico genérico, que está
rolando por aí. Não é de como nós vamos organizar a produção
com agrotóxico com baixo custo, e sim de como vamos
organizar a produção sem agrotóxicos.”
Modernização do Uso
Já o
representante da Confederação Nacional da Agricultura,
Aléssio Maróstica, diz que é impossível produzir alimentos
para os brasileiros e para exportação sem usar esses
defensivos químicos.
Segundo
ele, é necessário “modernizar a aplicação” dos defensivos
agrícolas existentes e já em uso no Brasil. “Sem os
agrotóxicos, vai ser muito difícil nós termos alimentação
para todos”, diz Aléssio.
Subcomissão
O debate
desta quinta-feira foi o ponto de partida de uma subcomissão
especial criada para avaliar as consequências do uso de
agrotóxicos para o País. O presidente do colegiado, deputado
Padre João (PT-MG), informou que, nos próximos meses, os
deputados vão analisar a relação dos agrotóxicos com os
trabalhadores, com o meio ambiente e com os consumidores dos
produtos agrícolas.
Ao final
dos trabalhos da subcomissão, acrescentou o parlamentar,
será divulgado um relatório que mostre quais pontos da lei e
da ação do Estado devem ser melhorados na área.
Reportagem - Ginny Morais
Edição – Newton Araújo
Fonte:
camara.gov.br |