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Movimentos sociais protestam contra reforma
do Código Florestal e uso
de agrotóxicos
Alex Rodrigues*
Repórter Agência Brasil
Brasília –
Pequenos agricultores, trabalhadores rurais sem terra,
ambientalistas, representantes das populações atingidas pela
construção de barragens, quilombolas, estudantes e
integrantes de várias entidades sociais promoveram hoje (7),
em Brasília, uma marcha contra a reforma do Código Florestal
e o uso de agrotóxicos.
Segundo
Paola Pereira, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), os movimentos sociais decidiram
aproveitar o Dia Mundial da Saúde, comemorado hoje, para
lançar a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela
Vida. O principal objetivo da iniciativa é conscientizar a
população sobre os riscos do uso indiscriminado de
defensivos agrícolas, a falta de fiscalização, a
contaminação dos solos e águas por essas substâncias e seu
impacto na saúde dos trabalhadores rurais e da população em
geral.
“É preciso
discutir o assunto entre os agricultores, nas escolas, nos
espaços públicos e projetos de lei. Temos que pressionar o
governo para que suas agências fiscalizem, de fato, a
utilização dos agrotóxicos. Desde 2009, o Brasil é campeão
mundial no uso destes produtos”, afirmou Paola à Agência
Brasil.
Quanto à
reforma do Código Florestal, Paola comentou que o MST é
contra o projeto já apresentado pelo deputado Aldo Rebelo
(PCdoB-SP). “Se é preciso fazer alterações, nós temos que
chamar a sociedade para o debate. Isso não é algo a ser
discutido apenas com o lobby político dos ruralistas
no Congresso [Nacional]”.
Para José
Josivaldo Alves de Oliveira, da coordenação nacional do
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a proposta de
Aldo Rebelo seria “um grave retrocesso em termos
ambientais”. “A questão da mudança do Código Florestal
unificou os vários movimentos sociais. E, embora não
tenhamos ilusão e saibamos que é uma luta difícil e
desigual, estamos convencidos de que se conseguirmos
mobilizar a sociedade brasileira, conseguiremos evitar que o
projeto do deputado seja aprovado”, declarou Josivaldo.
Já o
coordenador adjunto de Política e Direito do Instituto
Socioambiental (ISA), Raul do Valle, classifica como
“mentirosa” a campanha a favor da reforma do Código
Florestal nos termos propostos pelo deputado Aldo Rebelo
(PcdoB-SP), relator do projeto. “Nós queremos políticas
públicas. Queremos a ajuda do Estado na forma de assistência
técnica. Já à bancada ruralista, só interessa o perdão das
multas. E, com base em mentiras, numa campanha terrorista,
eles vêm conseguindo obter apoio para modificar a legislação
de uma forma que beneficia somente aos grandes
proprietários”.
Integrante
da direção da Federação Nacional dos Trabalhadores e
Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Maria da
Graça Amorim, defende que o atual Código Florestal não é
empecilho para a produção agrícola familiar e que as
mudanças propostas beneficiarão apenas os grandes
produtores. “Nós só precisamos de alguns hectares para
produzir. Já o agronegócio pegou as melhores terras,
desmatou-as porque não mora nelas, coloca agrotóxico porque
não consome o que produz e, agora, ainda quer desmatar as
beiras dos rios.”
De acordo
com a agricultora Julciane Azilago, do Movimento Mulheres
Camponesas (MMC), se o governo quer estimular a agricultura
basta disponibilizar mais recursos para os produtores
familiares. “A maioria dos créditos do governo vão para os
grandes produtores, sendo que o pequeno agricultor é quem
gera muito mais empregos e produz a maior diversidade de
alimentos. E é justamente o agronegócio quem mais utiliza
agrotóxicos”.
Os
integrantes dos movimentos sociais também entregaram um
documento, com seu posicionamento acerca do Código
Florestal, à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
As entidades defendem a manutenção dos atuais índices de
reserva legal e de áreas de preservação permanente, bem como
a obrigação da recuperação de todo o passivo ambiental
nessas áreas, a não-anistia aos desmatadores, a criação de
políticas públicas que garantam a recuperação produtiva das
áreas protegidas e o desmatamento zero em todos os biomas
brasileiros, com exceção dos casos de interesse social.
*Colabrou Juliana Maya,
repórter da Rádio Nacional da Amazônia
Edição: Lana Cristina |
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