|
Audiência com Dilma encerra Encontro Nacional das Mulheres
Atingidas por Barragens
Encontro foi histórico e demarcou uma vitória da organização
das mulheres no MAB
O Encontro Nacional das
Mulheres Atingidas por Barragens encerrou nesta tarde, em
Brasília, após uma audiência com a presidenta Dilma, no
Palácio do Planalto. Mas as atividades desse dia começaram
bem mais cedo. Pela manhã, o Movimento integrou uma marcha,
da qual participaram 1.500 pessoas de diversos movimentos
sociais e organizações ambientais, em defesa do
meio-ambiente e de um outro projeto de sociedade.
Audiência com a presidenta
À tarde, as 450 militantes
do MAB foram recebidas pela Presidenta da República, Dilma
Rousseff, no Palácio do Planalto. Soniamara Maranho, da
coordenação nacional do Movimento, leu uma carta para a
presidenta com as reivindicações das mulheres atingidas.
Entre as reivindicações,
estava a regulamentação do decreto assinado no ano passado
pelo então presidente Lula, que instituiu o cadastro dos
atingidos por barragens, a suspensão das obras da usina de
Belo Monte e a elaboração de uma nova política nacional de
tratamento das questões sociais e ambientais.
A carta declarava o apoio do
Movimento às lutas dos operários das obras de barragens por
melhores condições de trabalho e a solidariedade à
resistência dos Povos Latinos, em especial os Mapuches no
norte da Patagônia Argentina, atingidos pelas refinarias da
Petrobrás.
A carta também destacou a
importância da luta contra as mudanças propostas no Código
Florestal brasileiro e anunciou a campanha contra os
agrotóxicos, lançada neste dia 7 de abril, Dia Mundial da
Saúde.
A presidenta reconheceu o
MAB como interlocutor entre os atingidos por barragens e o
governo e buscou reforçar em sua fala a intenção de manter
as portas abertas para o diálogo permanente com o movimento.
Essa intenção havia sido manifestada no começo da audiência
pelo ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da
Presidência da República. Carvalho afirmou que, a cada dois
meses, representantes dos ministérios envolvidos com as
pautas dos atingidos vão receber o MAB para buscar avançar
nas tratativas.
Dilma declarou que a pauta
do MAB é muito importante porque “faz parte de uma questão
muito cara ao governo, que é esse permanente diálogo com os
movimentos sociais.” Em outro momento, afirmou ser contra
“aqueles que dizem que o governo deve ficar surdo às
reivindicações”.
A presidenta, no entanto,
não se comprometeu a atender todas as demandas especificadas
na carta elaborada pelas mulheres, afirmando que não ia
fazer promessas “demagógicas”.
Dilma também destacou a
importância da organização das mulheres na luta por seus
direitos, reconhecendo que elas são as mais afetadas pela
pobreza.
Essa é a terceira vez, em 20
anos de existência, que o MAB é recebido pela Presidência da
República. As outras duas aconteceram em 2010, quando o
Movimento foi recebido por Lula.
Marcha na Esplanada
Na marcha com as integrantes
do MAB e de outros movimentos sociais, entre eles o
Movimento Sem Terra (MST), Movimento de Pequenos
Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC),
Instituto Socioambiental (ISA) e Greenpeace, foi lançada a
Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida.
Os manifestantes também protestaram contra o projeto do
deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do Código
Florestal, apoiado pelos ruralistas, defenderam a Reforma
Agrária e reivindicaram um projeto energético popular.
Os atos de protesto
aconteceram em frente ao Ministério da Agricultura, do
Congresso e do Ministério de Minas e Energia. Ali, o MAB
denunciou o atual modelo energético, que
explora os trabalhadores com os altos preços da energia
elétrica. As mulheres do Movimento também cobraram o
imediato cancelamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte,
prevista para ser construída no Rio Xingu, no Pará.
“O Ministério de Minas e
Energia é o coordenador de todo setor elétrico que, em sua
grande maioria, está nas mãos das empresas privadas. Essas
empresas, historicamente, têm violado os direitos humanos,
negado o direito dos atingidos e precarizado as condições de
trabalho, como tem ocorrido com os trabalhadores das usinas
de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia”, afirmou Liciane
Andrioli, coordenadora nacional do MAB.
Veja mais notícias sobre o
Encontro Nacional das Mulheres Atingidas por Barragens no
site do MAB |