MST lança
campanha contra o uso de agrotóxicos
Angela Lacerda -
Agência Estado
"Vamos
agir em várias frentes e quem sabe cheguemos até a fechar
alguma fábrica de veneno", afirmou João Pedro Stédile, líder
nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), ao
lançar, hoje, no Dia Mundial da Saúde, uma campanha nacional
contra o uso de agrotóxicos e em defesa da vida.
A campanha
une 50 entidades das áreas governamental, da academia e de
movimentos sociais - MST incluído - na busca de
conscientização da sociedade para o risco que corre a
população e o meio ambiente expostos aos venenos agrícolas.
Stédile
acredita que a campanha, que dá agora seu pontapé inicial,
tem condições de se consolidar e crescer porque "a luz
amarela" acendeu depois que o Brasil foi apontado como o
campeão mundial do consumo de veneno agrícola em 2009. "É
uma questão de saúde pública", observou, ao destacar que as
conquistas devem ser alcançadas passo a passo, com um
período de transição.
Dois
documentários - de 26 minutos cada um - estão sendo
realizados pelo cineasta Silvio Tendler visando a expor a
realidade vivida hoje no País e casos de doenças provocadas
por contaminação de agrotóxicos; cartilhas agrícolas serão
confeccionadas e distribuídas para agricultores; e material
didático será entregue a professores para discussão em sala
de aula.
Estas
ações, segundo o líder do MST, fazem parte da estratégia da
campanha, que também quer compromissos de governos estaduais
e federal, a exemplo da proibição da pulverização de veneno
em plantações - evitando a contaminação do ar e da água,
além do solo - e a obrigatoriedade de informar ao
consumidor, nas gôndolas de supermercados, sobre os
agrotóxicos utilizados no cultivo das frutas e verduras
comercializados.
O
importante, de acordo com Stédile, é levar a população,
consciente dos riscos do uso indiscriminado dos agrotóxicos,
a fiscalizar, denunciar e pressionar os órgãos públicos. O
sem-terra fez palestra sobre o tema, na sede do Sindicato
dos Servidores Públicos Federais de Pernambuco, no Recife,
quando defendeu a agricultura familiar e agroecológica e
condenou o agronegócio.
Caso
queira mais informações sobre o mesmo assunto acesse
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Fonte:
estadao.com.br |