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07/03/2007
Jornada
Nacional de Luta das Mulheres da Via Campesina
Mulheres da Via Campesina
ocupam Deserto Verde no RS
Mais de mil e quinhentas mulheres
integrantes da Via Campesina, realizaram hoje (06/03) quatro
ocupações de terras no Rio Grande do Sul, dando início à Jornada
Nacional de Luta das Mulheres a ser realizada nos dias 6, 7 e 8
de março. O lema deste ano é “Mulheres Camponesas na Luta por
Soberania Alimentar, contra o Agronegócio”.
No Rio Grande do Sul as mulheres
ocuparam áreas de empresas que tem monoculturas de árvores para
denunciar que o deserto verde está impedindo a reforma agrária e
inviabilizando a agricultura camponesa.
Foram ocupadas áreas da Aracruz em
Santana do Livramento, da Votorantim em Pinheiro Machado, da
Stora Enso em São Francisco de Assis e da empresa Boise em
Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre.
Essas empresas, juntas, possuem
mais de 200 mil hectares de terras no Rio Grande do Sul,
quantidade suficiente para assentar 8 mil famílias de
agricultores/as. Pretendem chegar em 10 anos ao plantio de 1
milhão de hectares
Os movimentos que fazem parte da
Via Campesina (Movimento de Mulheres Camponesas, Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento dos Atingidos por
Barragens, Movimento dos Pequenos Agricultores, Comissão
Pastoral da Terra e Pastoral da Juventude Rural), através das
atividades desenvolvidas nesta jornada, denunciam que deserto
verde está tomando conta das terras gaúchas, o que tem aumentado
a seca, os prejuízos ambientais, o desemprego, o êxodo rural, a
poluição dos rios e do ar, a perca da biodiversidade e o aumento
da pobreza no campo.
Ao mesmo tempo em que denunciam
tal monocultura, também está sendo proposto a Campanha Nacional
Pela Produção de Alimentos Saudáveis, como forma de negar e se
contrapor ao modelo capitalista e patriarcal presente no campo,
a fim de avançar na luta pela soberania alimentar, contribuindo
no combate ána luta pela soberania
alimentar, contribuindo no combate a o capitalista e patriarcal
presente no campo fome e a miséria, tornando visível o
grande potencial de produção de alimentos que a agricultura
camponesa possui, evidenciando o papel das mulheres neste
processo, bem como, sensibilizando a sociedade para a situação
de degradação da natureza e a necessidade de retomar o cuidado
com a vida.
Estudos comprovam que onde avança
o deserto verde a agricultura camponesa está sendo destruída, a
biodiversidade sendo extinta, onde muitas pessoas são expulsas
do campo, sendo as primeiras delas a serem excluídas da
agricultura são as mulheres, por trabalharem na produção de
alimentos e criação de pequenos animais, destinada ao consumo
das famílias ou para os mercados locais. Por isso com o
fortalecimento do agronegócio cresce a exclusão social das
mulheres.
Desta forma a Campanha Nacional
pela Produção de Alimentos Saudáveis quer reunir as mulheres do
campo e da cidade, a fim de afirmar a soberania alimentar como
um direito dos povos, fortalecendo a luta em defesa da vida.
Contra o capital e o
patriarcado, lutar sempre em defesa da vida!
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