|
07/03/2007
Jornada
Nacional de Luta das Mulheres da Via Campesina
Mulheres paralisam
atividades da Mineradora MBR Capão Xavier em MG
As
mulheres da Via Campesina paralisaram, nesta quarta-feira, 7
de março de 2007,
às 6h, as
atividades da Mineradora MBR Capão Xavier, localizada na BR
040
(BH/Nova
Lima), saída para o Rio de Janeiro
Porque as mulheres da Via Campesina estão simbolicamente
paralisando as atividades da Mineradora Capão Xavier e quem
somos nós:
A Via
Campesina é uma articulação internacional de luta dos movimentos
e organizações sociais do campo.
Em Minas
Gerais ela é composta pelo Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos
por Barragens (MAB), Movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA),
Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), Federação dos
Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Cáritas Brasileira
Regional Minas Gerais, Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Estamos
paralisando essas atividades como forma democrática e política
de chamar a atenção da sociedade para os reais problemas que
afetam o nosso povo.
Para os
representantes do capital, como a Minerações Brasileiras
Reunidas S/A (MBR), o agronegócio, o latifúndio, as empresas
transnacionais e o sistema financeiro, os minerais, a terra, as
águas, as sementes, o ar, as matas são recursos que devem ser
explorados conforme seus interesses econômicos.
Para nós,
estes elementos da natureza são a base da vida, são riquezas que
não têm preço e por isso não são mercadorias.
Em nome do
desenvolvimento, do progresso e da modernidade, o capitalismo
avança sobre o mundo, desrespeitando quaisquer limites e leis,
colocando em risco a vida de todos os seres vivos, inclusive da
humanidade.
O dia 08
de março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da
Mulher. Atualmente tornou-se uma data festiva, celebrada com
flores e bombons. Para nós, é relembrada sua origem, marcada por
fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, como
greves e passeatas.
Em especial no estado de Minas Gerais queremos denunciar à
sociedade mineira:
-
As
mineradoras, que poluem as águas, degradam a natureza e ainda
ceifam e desalojam a vida de inúmeras famílias quando as
barragens cedem;
-
A
privatização da Companhia Vale do Rio Doce, empresa avaliada
por R$ 40 bilhões, e entregue ao sistema financeiro, como o
banco Bradesco, por apenas R$ 3,7 bilhões, sendo que o lucro
da Vale nos primeiros anos supera os R$ 10 bilhões;
-
O
agronegócio, que não quer a Reforma Agrária, produz os maciços
homogêneos do eucalipto e pinus em terras públicas, manda
matar fiscais do trabalho no exercício do seu ganha-pão e
degrada o meio ambiente, como também a empresa V&M (Mannesman),
cujos seguranças assassinaram o extrativista Joaquim Antônio,
pela cata de pedaços de galhos no plantio de eucalipto, que
seriam usados no fogão a lenha;
-
O
latifúndio, que promoveu o massacre de cinco trabalhadores
rurais sem terra, que ocupavam terra devoluta no município de
Felisburgo;
-
A
Central Elétrica de Minas Gerais (Cemig) que cobra a tarifa de
energia elétrica e o ICMS mais caro da população, enquanto as
empresas são subsidiadas. Por isso, há uma campanha pelo
Projeto de Lei de Iniciativa
Popular Dom Luciano Mendes de Almeida, reivindicando a isenção
de 100 kwh/mês para todas as famílias pobres de Minas Gerais;
-
O projeto de transposição das águas do Rio São Francisco em
detrimento das experiências populares de convivência com o
semi-árido;
-
O domínio imperialista estadunidense, representado pelo
presidente George W. Bush, que desrespeita os direitos humanos
com a promoção da guerra, desrespeita a legislação ambiental
internacional ao rejeitar o tratado de Kioto, ao mesmo tempo
em que suga as riquezas naturais e tecnológicas e subordina os
países pobres ao pagamento da dívida externa.
O dia 8 de março, portanto, é para nós mulheres
sem terra,
atingidas por barragens, quilombolas, geraizeiras, indígenas,
camponesas, agentes de pastorais e estudantes um dia de luta das
mulheres trabalhadoras contra todas as formas de dominação e
opressão causada pelo capital.
Mulheres
em luta: em defesa da Vida e contra o agronegócio e as
transnacionais!
Via Campesina de Minas Gerais
(Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra, Movimento dos Atingidos por Barragens,
Movimento dos Pequenos Agricultores, Movimento das Mulheres
Camponesas, Comissão Pastoral da Terra, Cáritas Brasileira
Regional Minas Gerais, Federação dos Estudantes de Agronomia do
Brasil)
Outras informações:
Joana: 9132-8317
CPT: 3481-5420 / Marcilene: 9299-3706
Valquíria: 9922-9898
Edite: 9226-4524
Dayana: 9709-6130
|
|