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07/03/2007
Um 8 de março de muitas reivindicações

Alimentos saudáveis para incentivar a agricultura ecológica e o contraponto ao agronegócio são os principais objetivos da campanha organizada pelo Movimento de Mulheres Camponesas
 

Neste 8 de março, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) lançará a Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis como a sua principal ação dentro do Dia Internacional da Mulher. O evento acontecerá no Centro Cultural de Brasília (CCB), às 10 horas e contará com a presença mulheres do MMC, vindas de diferentes regiões do País, lideranças dos demais movimentos da Via Campesina e outros movimentos sociais e sindicais, bem como Pastorais Sociais de diversas igrejas e também participara diversas autoridades convidadas.

A Campanha tem o lema “Produzir alimentos saudáveis, cuidar da Vida e da Natureza” a fim de afirmar o Projeto de Agricultura Camponesa como uma das formas de enfrentar, superar e negar o modelo capitalista e patriarcal no campo que explora e expulsa milhões de camponesas e camponeses.

O MMC espera atingir algumas metas com a Campanha. O aumento da produção de alimentos saudáveis e diversificados, longe de transgênia é um deles. Valorização da mulher, a preservação da natureza, a potencialização de redes solidárias de trabalho e consumo, a resignificação dos hábitos alimentares, tal como o combate a todas as formas de violência contra s mulheres e os trabalhadores, a promoção da saúde e a qualidade de vida,construção de cisternas, saneamento, energia e assistência técnica à agricultura camponesa ecológica completam o conjunto de reivindicações que serão manifestadas publicamente neste 08 de março.

Segundo dados oficiais do IBGE, a agricultura camponesa é responsável por 70% da produção de alimento no Brasil, mas, no último ano, recebeu somente R$ 20 bilhões de recursos públicos. Como se não bastasse, apesar deste tipo de atividade ocupar 30% de toda área agricultável, só recebe 23,3% dos financiamentos, embora seja responsável por 37,9% do valor bruto de produção. Além disso, a atividade gera um emprego a cada 5 hectares de terra, ocupando toda a força de trabalho de um núcleo familiar.

Por outro lado, o agronegócio, a grande responsável pela diminuição da diversidade alimentar brasileira, recebeu cerca de R$ 115 bilhões, ainda em 2005. Ao receber tanto dinheiro, ao invés de melhorar ao menos os hábitos alimentares dos brasileiros, fez justamente o contrário. Se em 1960 comíamos cerca de 35 grãos, hoje a prioridade de consumo é de 5 grãos (trigo, milho, soja, arroz e feijão), que são as grandes monoculturas

Para a coordenadora nacional do MMC, Justina Cima, a campanha tem uma importância fundamental diante da questão do aquecimento global, da destruição da natureza, da contaminação da terra, da água e  do ar. “A problemática toda da pobreza do campo, a própria falta de alimento nos fazem partir para essas reivindicações. Por outro lado, a campanha tem uma importancia muito grande por que se faz o lançamento a partir das experiências concretas das mulheres que estão organizadas em movimento e nós queremos mostrar todo o potencial que as mulheres têm nos pequenos roçados, na horta, além de tudo que contribui na produção de modo geral”, explica.

Além do lançamento em Brasília, haverá várias atividades espalhadas nos Estados do País que somam às reivindicações propostas pela campanha (Ver anexo 1 ). Além disso, audiências já estão agendadas com autoridades em Brasília. (Ver anexo 2).

Há mais de 20 anos, o MMC foi constituindo um trabalho que integra formação, organização de base e luta. No ano de 2004, no I Congresso Nacional, com 1400 mulheres, após uma caminhada de construção de movimentos de mulheres autônomos nos Estados brasileiros, consolidou-se o Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil, articulando a pluralidade das mulheres, respeitando as diferenças e unificando em uma bandeira, a força e a diversidade das camponesas do Brasil.

O Movimento a soma de muitas identidades (quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco, agricultoras, pescadoras artesanais...) que se unificam e se expressam na produção de alimentos saudáveis, nas relações de trabalho, na ação política e social, pela relação de respeito, apego e cuidado com a natureza e na luta pela libertação das mulheres e transformação da sociedade.

Hoje, há organização em 19 estados do Brasil que têm como missão a libertação das mulheres camponesas que se concretiza nas lutas, na organização, na formação e no trabalho concreto e cotidiano, construindo as mulheres como protagonistas da própria história. Além disso, luta pela nova sociedade baseada nas novas relações sociais entre os seres humanos e destes com a natureza.

O MMC se articula com a Via Campesina, com organizações e entidades de mulheres, de ambientalistas, com redes de debate e práticas agroecológicas, com movimentos, sindicatos e redes de trabalhadores urbanos, com Igrejas e organizações religiosas, tanto de caráter nacional como internacional.

Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis

O que: Lançamento
Quando: 8 de Março de 2007, Dia Internacional da Mulher.
Onde:
CCB. SGA/Norte Quadra – 601, Módulo - "B", L2 Norte. Asa Norte. Brasília-DF
Horário
: 10 horas
Contato para Imprensa:
Mayra Silva. (61) 92370893
EMAIL
: campanhammc@gmail.com

Audiências confirmadas:

- Dia 06/03 às 10h30min: No Ministério da Saúde com o Ministro Agenor Álvares.

- Dia 08/03 às 13h: Na Secretaria Especial das Mulheres com a Ministra Nilcéia Freire.

- Dia 08/03 às 13h: Na Conab com o Silvio Porto, Diretor de Logística em Gestão Empresarial.

- Dia 08:03 às 18h: Ministério do Desenvolvimento Agrário - Ministro Guilherme Cassel e Andréia Butto, coordenadora das Ações afirmativa de gênero.

- Dia 09/03 às 10h: No Ministério da Previdência com o Ministro Nelson Machado.

 
 

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Secretaria Nacional do MMC
secretaria@mmcbrasil.com.br