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Grupo de Trabalho Mapuche chama atenção
para retomada de violência contra este Povo

Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital

Não é de hoje que os povos Mapuche, do Chile, sofrem com as ininterruptas violações aos seus direitos. Desde acusações de atos terroristas, passando pela prisão de menores de idade, até a militarização de seus territórios ancestrais, os Mapuche vêm sofrendo uma série de ameaças e injustiças por parte de agentes do Estado chileno aliados com setores privados e empresariais.

De acordo com denúncia do Grupo de Trabalho Mapuche pelos Direitos Coletivos(GTDC Mapuche), a violência contra esta população tradicional aumenta cada dia mais e não tem trégua. Além da criminalização de atos reivindicatórios por parte deste povo, terras tradicionais como Temucuicui, Chequenco, Lleu Lleu, e os territórios Makewe – Trapilwe estão afetados por violência policial e repressão.

"Existem denúncias graves que devem ser atendidas, que envolvem fatos de lesa humanidade, que ética e moralmente não se pode omitir, com testemunhos que são alarmantes. Isto se incrementa ainda mais, ao considerar-se que o Povo Mapuche foi vítima da usurpação de seu território ancestral, redução e empobrecimento, o que causou um massivo êxodo da população rural para as zonas urbanas e que no presente, mostra, também, uma série de projetos invasivos e atentatórios nas poucas terras que restam”, denuncia o GTDC Mapuche.

Além da violência e militarização de seus territórios, os Mapuche estão sofrendo com as tentativas de imposição de projetos de expansão florestal e mineira e com o caso particular de tentativa de construção de um aeroporto internacional.

O Grupo de Trabalho pelos Direitos Coletivos relata alguns casos: planejamento de construção de um duto tóxico da empresa Celulosa Arauco na zona de Mehuin, território Lafkenche; ameaças aos territórios Pewenche e Huilliche com projetos de hidrelétricas; etnocídio cultural praticado em zonas de prospecção mineira, como em Lleu Lleu; e tentativas de construção de um aeroporto internacional em Quepe. A isto, somam-se os assassinatos de jovens Mapuche que lutavam por suas terras tradicionais e as perseguições a lideranças e dirigentes desta etnia.

Apesar da grave situação, o governo chileno ignora os fatos mantendo impunes diversos crimes cometidos contra os Mapuche. Quando as violações cometidas por agentes policiais e/o militares contra civis finalmente chegam à justiça, os casos são levados para tribunais militares, desrespeitando o estabelecido na sentença Palamara versus Estado chileno (Corte Interamericana de Direitos Humanos, 2005).

O Grupo pede que o Estado chileno reconheça e cumpra os Direitos coletivos dos povos indígenas, entre eles: todos os Povos têm direito a ser reparados quando seus direitos são violados; Todos os Povos e suas comunidades têm direito a definir seu próprio desenvolvimento, atendendo aspectos sociais, culturais, espirituais, ambientais, econômicos e não aceitar imposições de indústrias que causam impactos e depredação; o direito ao desenvolvimento é um direito humano inalienável em virtude do qual todo ser humano e todos os povos estão facultados para participar num desenvolvimento econômico, social, cultural e político no que possam se realizar plenamente.

Pedindo respeito a estas exigências e lembrando que os Mapuche têm todos esses direitos saqueados, o GTDC alerta às organizações de direitos humanos de dentro e fora do Chile para que façam a sua parte denunciando todas as violações cometidas contra este povo e se informando sobre os fatos para atuar da forma que a situação necessita.

Para saber mais sobre a situação dos Mapuche, acesse: http://mapuexpress.blogspot.com/p/gtdc-mapuche.html

 
 

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