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05/07/2007
Moção de repúdio à
transposição do rio São Francisco
A Central Única dos Trabalhadores
de Sergipe (CUT), em conjunto com diversos sindicatos,
movimentos populares e entidades da sociedade civil, aprovou,
durante plenária realizada na tarde desta terça-feira (3), uma
moção de repúdio ao início das obras de transposição do rio São
Francisco que vêm sendo executadas pelo Exército brasileiro. O
documento marca o início de uma série de atividades que a CUT
Sergipe vai organizar como forma de resistência à tentativa do
governo federal de impor o projeto.
No
texto, as entidades reafirmam posição contrária à transposição,
ressaltando as razões de caráter jurídico, técnico, econômico,
ambiental e social que motivam a discordância em relação ao
projeto. A moção também manifesta solidariedade aos mais de 1500
manifestantes - entre pescadores, trabalhadores rurais, índios,
representantes da igreja e de diversos movimentos sociais - que
estão acampados em protesto junto ao canteiro de obras inicial
da transposição, no município de Cabrobó.
De
acordo com o presidente da CUT Sergipe, Antônio Carlos Góis, um
grande ato público contra a transposição está sendo preparado
para acontecer até o fim de julho em Aracaju. A resistência ao
início das obras também estará na pauta de atos preparatórios no
decorrer do mês. "Iremos também solicitar aos sindicatos apoio e
contribuição para a manutenção do acampamento de resistência em
Cabrobó", disse Góis.
MOÇÃO DE
REPÚDIO À TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
A
Central Única dos Trabalhadores de Sergipe (CUT/SE), O Fórum em
Defesa do Rio São Francisco - Sergipe, o Instituto
Sócio-Ambiental Acauã, a Federação dos Trabalhadores em
Agricultura do Estado de Sergipe (FETASE), o Centro Sergipano de
Educação Popular (CESEP), o Movimento Popular de Saúde (MOPS), a
Federação da Pequena e Micro Empresa de Sergipe (Fampeme) e o
gabinete do deputado federal Iran Barbosa, reunidos em plenária
intersindical e popular realizada na tarde desta terça feira, 3
de julho de 2007, vêm a público repudiar a tentativa do Governo
Federal de dar início às obras de transposição do Rio São
Francisco para o chamado nordeste setentrional, executado pelo
Exército nos municípios de Cabrobó e Petrolândia, no estado de
Pernambuco.
As
entidades citadas reafirmam sua posição contrária à transposição
com base em diversos pontos que têm sido ignorados pelo Governo
Federal, que optou pelo autoritarismo ao encaminhar o projeto de
cima para baixo, numa demonstração de desprezo pela soberania
das populações ribeirinhas e pela participação democrática dos
setores da sociedade envolvidos na questão.
-
Do
ponto de vista jurídico, somos contrários à obra por entender
que ela afronta a Constituição Federal na medida em que
atropela todo o processo legal de solução de conflitos
relacionados com os recursos hídricos, entre diversas outras
afrontas à legislação;
-
Do
ponto de vista técnico, rejeitamos a idéia considerando que
renomados especialistas de todo o País - como os que
subscreveram, após análise do tema, o documento oficial com
estudos e conclusões da Sociedade Brasileira para o Progresso
da Ciência (SBPC) - são enfáticos e convincentes ao apresentar
inúmeras razões de ordem técnica que não recomendam a
implementação de tal medida;
-
Do
ponto de vista econômico, consideramos que o projeto não
respeita o princípio da razoabilidade, uma vez que diversas
alternativas mais simples, de menor custo e de muito maior
efeito social poderiam ser adotadas em lugar da transposição;
-
Do
ponto de vista ambiental, somos impelidos a rejeitar a
proposta levando em consideração as conseqüências desastrosas
do desequilíbrio já perpetrado na bacia hidrográfica do São
Francisco, resultado da ação secular e contemporânea de
exploração econômica do Rio - fato que tem, há muito, nos
motivado a desencadear a luta em defesa da sua revitalização;
- Do ponto de vista social,
por fim, rejeitamos o projeto porque tomamos partido das
famílias de trabalhadores rurais e pescadores cuja
sobrevivência depende diretamente do São Francisco. Repudiamos
qualquer tentativa de sacrificar ainda mais as comunidades
ribeirinhas para beneficiar o interesse de grandes
empreendedores ligados à fruticultura irrigada, à
carcinicultura, à siderurgia e à produção de agrocombustíveis,
entre outros. Assim como a possibilidade de encarecer o custo
da água para toda a população nordestina como subsídio a esses
grandes usuários.
As
entidades citadas manifestam sua solidariedade aos mais de 1.500
manifestantes que, desde a madrugada do dia 26 de junho, ocupam
o canteiro de obras inicial da transposição do São Francisco, no
município de Cabrobó (PE) - única atitude possível diante da
falta de diálogo do Governo Federal.
E exige
a suspensão imediata das obras em prol de alternativas de
desenvolvimento que promovam a justiça social e ambiental e a
soberania popular na bacia do São Francisco e no Nordeste.
Aracju, 5 de
julho de 2007
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