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02/06/2008
Ruralistas querem
derrubar rótulo de transgênico nos produtos
Durante cinco anos a indústria de alimentos boicotou a
obrigatoriedade de rotular os alimentos contendo mais de 1% de
ingredientes transgênicos. No início deste ano, forçadas pela
Justiça, algumas empresas começaram a respeitar a lei e
passaram a rotular alguns de seus produtos, como os óleos de
soja da Bunge e da Cargill (Soya e Liza). Agora, os ruralistas
do Congresso Nacional movimentam-se para acabar com a
rotulagem e manter o consumidor sem informação sobre o que
leva para casa.
A
primeira iniciativa é da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), por
meio de Proposta de Decreto Legislativo (PDS 90/2007) que
tramita na Comissão de Agricultura do Senado. O Projeto
pretende “sustar a aplicação” do artigo 3º do decreto de
rotulagem que regulamenta o direito básico à informação
garantido pelo Código de Defesa do Consumidor. A proposta visa
também “sustar” a aplicação da Portaria 2658/03 do Ministério
da Justiça, que definiu o símbolo da rotulagem (T preto
envolto por um triângulo amarelo). A iniciativa vai na
contra-mão das recentes decisões judiciais reconhecendo e
exigindo a informação nos rótulos, mesmo que abaixo de 1% de
ingrediente transgênico.
Para
a autora da proposta, “O símbolo definido pelo ministério
remete à idéia de atenção e cuidado e pode fomentar a
desconfiança da população em produtos que já foram avaliados e
considerados seguros pela Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio), prejudicando a introdução desses
produtos no mercado”.
Não
custa lembrar que a soja transgênica, apesar de ter recebido
parecer favorável na CTNBio, estava com a liberação suspensa
pelo Poder Judiciário, quando foi “autorizada” por Medidas
Provisórias e depois pelo Congresso Nacional após sua expansão
ilegal pelo País. No caso dos milhos transgênicos recentemente
aprovados pela CTNBio, a ANVISA e o Ministério da Saúde foram
contra sua liberação justamente por não estar garantida a
segurança desses produtos. |