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02/06/2008
Exploração sexual
infanto-juvenil soma quase
55% das denúncias
no MP
Das
10.204 denúncias de violência recebidas pelo Ministério
Público (MP) de Quito, mais de 4.600 foram de abusos e
violações sexuais de crianças e adolescentes e 977 de
tentativas de violação desses. Esses números correspondem a
54,9% do total de denúncias feitas.
Apesar dessa realidade, o Estado - que deveria ser o principal
encarregado de promover políticas para a proteção desses
cidadãos - não toma medidas efetivas de combate à situação. Ao
contrário, o poder judiciário recebe as denúncias de violação,
mas não assume aplica as investiga e não determina sanções aos
infratores.
Só
3%, de todas as denúncias recebidas pelo MP, entre janeiro e
dezembro do ano passado, tiveram sentença. O crime de
exploração sexual comercial, por exemplo, não é visto pelos
órgãos do judiciário como uma ação estimulada pelo lucro dos
criminosos; o MP apenas lamenta que seja uma realidade cruel
para o Equador.
Muitas vezes são brechas na própria lei que dificultam a
punição dos culpados. A Constituição equatoriana determina a
proteção da infância, mas o Código Penal e Código de Saúde não
têm normas que efetivem essa determinação, pois não
estabelecem nenhuma sanção para crimes de abuso e exploração
sexual. O Código Penal pune apenas os exploradores e deixa de
lado os consumidores, que, pela demanda, promovem a
exploração.
Além
disso, o Código de Saúde não estabelece com precisão a idade
em que a pessoa é considerada trabalhadora sexual ou explorada
sexual. É nesse vácuo deixado pela lei, que muitos
exploradores escapam de serem processados e sentenciados
penalmente.
Em
2004, o Estado do Equador realizou um "Plano Decenal de
Proteção Integral da Infância e da Adolescência". Nele, são
estabelecidas 29 políticas de proteção às pessoas que integram
a faixa etária de 0 a 17 anos. A medida de número 26 tem como
meta reduzir em 50% o maltrato e o abuso de adolescentes e
suas seqüelas, nas famílias, nos serviços públicos e na
comunidade.
Mas o
que se vê no país é um aumento da violência contra a infância.
Segundo dados divulgados pela Direção Nacional de Polícia
Especializada em Crianças e Adolescentes (Dinapen, sigla em
espanhol), os números só de Pichincha e Guayas refletem esse
aumento.
O
Plano estabelece ainda como meta: eliminar a exploração e o
tráfico sexual comercial das adolescentes; eliminar o acesso
de crianças e adolescentes ao serviço doméstico. Após quatro
anos da elaboração do Plano, não há nenhuma estrutura de
trabalho conjunto para cumprir os objetivos. Para isso, o
Estado deve articular, em cada província, um Plano de Ação com
mecanismos de combate à exploração e vigilância.
Fonte
www.adital.com.br |