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Resistência e recuperação da terra
marcaram ato da comunidade no Equador

Jeane Freitas
Jornalista da Adital
Adital

A comunidade kichwa Flor de Bosque, localizado nas margens do rio Anzu, Santa Clara do condado, província de Pastaza, Equador, celebrou na terça-feira (26) um importante evento para comemorar o fortalecimento do acampamento de resistência e recuperação de seu território ancestral.

O ato quis fortalecer a luta que a comunidade vem realizando e "reivindicando a vigência na luta popular de base para encaminhar as demandas dos povos indígenas amazônicos por seus territórios, historicamente explorados pelo regime e outros mecanismos praticados no país a mais de 500 anos”.

Segundo a carta sobre o evento, a luta da comunidade trás na memória todo processo de conquista construída pelos povos indígenas por seus territórios e recorda a triste maneira de como se deu todo processo de invasão, quando foram expulsos de suas terras pelos colonizadores.

Foram obrigados a aceitar as missões para evangelização e o processo de colonização em nome do "desenvolvimento”, ignorando os direitos dos povos nativos. Usaram das artimanhas argumentando que as terras eram estéreis, abandonadas, para se apropriar dos bens da floresta, fazendo uso da madeira, da borracha e fazendo dos índios escravos.

Mesmo com as conquistas, "a comunidade ainda tem que resistir contra a negligência e abandono por parte das autoridades e ainda tem que suportar seus líderes serem rotulados de invasores”. Sem contar os interesses pessoais em detrimento das demandas coletivas da população e organização indígena que buscam acumulação individual nas terras dos nativos, gerando ameaças à comunidade com objetivo de abrir uma brecha para entrada da mineração em pequena escala e que já tem provocado destruição nos rios da região.

Frente a toda essa situação, que ainda persiste, a comunidade resolveu se organizar e reivindicar por seus direitos. A legitimidade do ato é uma forma de dar visibilidade pública à luta e a organização da comunidade por "suas demandas por terra livre e digna para viver e cultivar, tanto para seus povos como para os filhos e filhas que virão”.

Sobre a comunidade Flor de Bosque

A comunidade Kichwa Flor de Bosque foi fundada em 1974 por várias comunidades de povoados ancestrais que habitaram os arredores do Rio Anzu, que resistiram aos colonizadores que tomaram suas terras e que obrigaram seus avós a abandonar seus território.

Em todos esses anos, a comunidade tem estabelecido um acampamento de resistência e sustento da comunidade distante dos centros de população e pedem às autoridades, a legalização e recuperação dos territórios que foram habitados por ancestrais.

 
 

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