Grupos de
discussão marcaram a manhã do ENAMB 2011
Por
Gina Albuquerque
31/03/2011
O
segundo grupo de discussão acerca de política
desenvolvimentista no Brasil foi marcado pela presença de
mulheres do norte e nordeste. As falas retomaram que o
projeto de desenvolvimento brasileiro visa o crescimento
econômico, com a realização de grandes obras, mas que andam
em descompasso com as políticas sociais e que penalizam a
vida das mulheres e o meio ambiente.
As mulheres do PE relataram
que o Porto Suape degradou sem medidas as praias do seu
litoral. O exemplo mais visível é os ataques de tubarões,
que, após a construção desse porto, se aproximaram da
beira-mar. As mulheres do RN apontaram o fracasso social das
políticas de turismo, que tem precarizado o trabalho das
mulheres, criando ambiente favorável para prostituição
feminina e privilegiando o setor da construção civil e a
especulação imobiliária.
A BA e PB relataram a falta
de política de segurança alimentar, que reforça uma lógica
de desvalorização da agricultura familiar e da agroecologia
em prol do agronegócio. As mulheres da Amazônia-paraense
trouxeram relatos de que a transamazônica agravou problemas
sérios como a ocupação desordenada do solo e pauperização da
população local, fatos que se radicalizam com a construção
da hidrelétrica Tucuruí e Belo Monte. No caso de Tucuruí, a
comunidade sequer desfruta de energia elétrica em suas
casas.
O grupo apontou que o
movimento feminista, movimento de mulheres e os movimentos
sociais, em geral, deverão manter o caráter de resistência e
aumentar seu caráter de controle social. Também de exigir
políticas de desenvolvimento urbano e rural que combatam as
desigualdades de gênero e implementem políticas de segurança
alimentar. |