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A luta central do MMC é contra o modelo capitalista e patriarcal e pela construção de uma nova sociedade com igualdade de direitos. Nesse sentido, assumimos como principal bandeira de luta o Projeto de Agricultura Camponesa Ecológico, com uma prática feminista, fundamentado na defesa da vida, na mudança das relações humanas e sociais e na conquista de direitos. Além dessas, também defendemos:

a) Projeto Popular de Agricultura Camponesa:

  • pela viabilização de políticas públicas para a agricultura que garantam a permanência no campo, a produção de alimentos saudáveis, crédito especial para mulheres, etc;

  • pela defesa, preservação, multiplicação e conservação da biodiversidade, patrimônio da humanidade a serviço dos povos, garantindo soberania alimentar;

  • cuidado, respeito e preservação do ambiente, garantindo a continuidade de todas as formas de vida, respeitando o ciclo da natureza;

  • uso sustentável dos recursos naturais, de forma justa e equilibrada, bem como a garantia de energias renováveis para o ser humano (energia heólica/ventos; solar e biomassa/bagaços, esterco e outros), construindo um novo modelo energético;

  • preservação das nascentes de águas, rios e fontes, aproveitando a água da chuva através da utilização de cisternas;

  • revitalização do Rio São Francisco;

  • recuperação, preservação e multiplicação das plantas medicinais e sementes crioulas;

  • pelo direito e acesso à terra através da Reforma Agrária e fim do latifúndio e estabelecendo os limites de propriedade de terras no Brasil;

  • produção agroecológica de alimentos, com o uso de formas alternativas de energia e com acesso e controle dos meios de produção pelas famílias camponesas;

  • garantia de geração de renda e autonomia das famílias camponesas, fortalecendo a capacidade de criar e recriar formas de sustentabilidade no campo através de redes populares e solidárias de consumo e comercialização de alimentos e outros produtos;

  • valorização e valoração do trabalho e renda gerada pelas mulheres, garantindo sua autonomia;

  • incentivar e fortalecer a concretização de formas de entre-ajuda, associativas e de cooperação solidária entre as pessoas;

  • que as tecnologias desenvolvidas pelas trabalhadoras e trabalhadores com o auxilia da ciência possam ser voltadas aos interesses das camponesas e camponeses, facilitando a produção de alimentos saudáveis;

  • organização coletiva do grupo familiar na construção de novas formas de vivencia e convivência de maneira a superar as relações da família patriarcal e machista;

  • construção coletiva de espaços de poder partilhado de mulheres e homens (decisão e implementação) tanto nos espaços privados quanto nos públicos;

  • mudança nas relações humanas, construindo uma visão ampla e integral da vida, do ser humano e de desenvolvimento sustentável do planeta;

  • respeito à diversidade étnico-racial, de gênero, econômica, cultural, ecológica e de espiritualidade;

  • fortalecimento da arte e da cultura camponesa através de crenças, rezas, rituais, visitas, pratos típicos, mutirões de trabalho, danças, rodas de viola, literatura de cordel, repentes, festas típicas e outras;

  • valorização e reconhecimento do saber popular, fruto da herança e do conhecimento da vida camponesa;

  • garantia da autonomia de camponesas e camponeses sobre o processo de trabalho, o corpo e sobre o seu modo próprio de vida;

b) Ampliação dos direitos sociais:

  • pela garantia do direito à Previdência Pública e Universal que assegure e efetive os direitos e benefícios já conquistados das trabalhadoras e trabalhadores, bem como a ampliação de direitos sociais;

  • pela garantia do direito à Saúde Pública, integral (promoção, proteção e recuperação), de qualidade e com atendimento humanizado para todos com efetiva participação popular;

  • pela garantia de Documentação, para que não exista “Nenhuma mulher trabalhadora rural sem documentos” e ampliando esse direito a todos os membros da família;

  • pelo direito e acesso à educação pública, de qualidade, libertadora, emancipatória e não sexista; voltada à realidade camponesa e de cada região; efetivada junto às trabalhadoras e trabalhadores que vivem no campo; com o princípio da construção da consciência emancipatória, valorizando e incentivando o saber popular. Isso é possível, através de programas de alfabetização de mulheres e homens no campo, garantia de escolarização com a criação de unidade infantil nas comunidades rurais, 1º e 2º graus, universidade pública do campo;

  • pela garantia de acesso aos direitos conquistados na Lei Orgânica da Assistência Social;

  • garantia de moradia digna, saneamento, luz e estradas para facilitar as condições de vida no campo, e lazer, com direito ao acesso de atividades culturais nas comunidades rurais (cinema, teatro, esportes...);

  • investimento público na pesquisa, ciência e tecnologias a serviço da vida, adequadas às necessidades da agricultura camponesa agroecológica (conhecimento e equipamentos tecnológicos, populares e científicos) e que facilitem o trabalho humano;

  • garantia de políticas públicas de combate à violência e proteção de mulheres e crianças;

  • política de comercialização e aquisição direta de alimentos e produtos da agricultura camponesa, para os trabalhadores da cidade e entidades públicas (escolas, creches, hospitais...).

c) Projeto Popular para o Brasil:

O MMC tem como objetivo central lutar pela soberania nacional, proteção, conservação e preservação da biodiversidade (não deixar vender terra e água), recuperando, valorizando a cultura brasileira, fortalecendo as iniciativas de poder popular que reafirmam a busca da dignidade e autonomia da mulher e do povo brasileiro. Por isso lutamos:

  • Contra as políticas impostas pelo FMI - Fundo Monetário Internacional e Organização Mundial do Comércio – OMC;

  • Contra a ALCA - Área de Livre Comércio das Américas;

  • Pelo não pagamento da Dívida Externa;

  • Contra os transgênicos;

  • Contra todo o tipo de discriminação e racismo.

d) Participação política da mulher na sociedade

  • Pela participação, valorização e autonomia da mulher em todos os espaços de decisão sobre a produção, o patrimônio, as relações humanas, políticas e comunitárias; de maneira a garantir a manutenção e o avanço do campesinato, na construção de um projeto popular para o Brasil;

  • garantia de autonomia e não mercantilização do corpo das mulheres com o fim de todas as formas de violência (sexual, física, psicológica, estrutural,...), opressão, discriminação e dominação praticada contra as mulheres e a classe trabalhadora.

 
 

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Secretaria Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas - MMC Brasil
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