Preparar o ambiente com a bandeira do movimento, a
bandeira do Brasil, o que produzimos e desenhar o gráfico
da “Distribuição da riqueza no Brasil” em um papel maior,
para que todas possam ver.
Coordenadora:
Companheiras, os acontecimentos que estamos vivendo no
nosso país não correspondem àquilo que queremos, que
sempre sonhamos e para que estamos lutando. As iniciativas
das organizações do povo são desmontadas, enquanto as
grandes empresas, que exploram o povo, vêm sendo
fortalecidas. O povo fica cada vez mais excluído, enquanto
os ricos se mantêm ricos, privilegiados e corruptos. Neste
encontro vamos refletir sobre a situação em que vivemos e
levantar desafios para nós mulheres, lutadoras do
Movimento de Mulheres Camponesas, contribuirmos para
mudança deste modelo de sociedade.
Leitora 1:
As trabalhadoras e trabalhadores são excluídos porque não
têm acesso à terra, moradia, escola, saúde, educação,
emprego. Não têm condições de vida. Do campo, esse povo
vai para as grandes cidades, aumentando as favelas. Ao
mesmo tempo, existem pessoas muito ricas no nosso país.
Conforme os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI),
10% dos mais ricos possuem 44% das riquezas nacionais.
Além disso, somente 10% da população brasileira têm uma
renda superior a 900 reais.
Se a riqueza do
país fosse um bolo, veja como estaria dividido:

Leitora 2:
A corrupção que está na boca do povo e nos meios de
comunicação, não é uma coisa nova, ela existe há muito
tempo e há muito tempo somos explorados. Hoje, enquanto o
povo morre de fome, o governo paga mais de 100 bilhões de
reais em juros por ano para o Fundo Monetário
Internacional (FMI), de uma dívida que não foi o povo que
fez, não foi beneficiado e que já foi paga. Corrupção
também é quando alguém vende ou compra o seu voto.
Leitora 3:
Os governos incentivam e aumentam o
apoio ao agronegócio, abrindo as portas para as empresas
multinacionais conquistarem a agricultura brasileira,
permitindo e financiando um pacote de adubos, máquinas e
venenos para o plantio e uso de sementes transgênicas. As
empresas continuam com condições favoráveis, enquanto o
povo paga os juros de suas dívidas através dos impostos.
Isso também é corrupção. Enquanto isso, a agricultura
camponesa se vê cada vez mais ameaçada. Fica difícil para
as camponesas e camponeses receberem créditos, manterem a
biodiversidade nas suas terras, continuando o plantio de
forma agroecológica, preservando a natureza.
Leitora 1:
É neste meio que nós do MMC temos que nos organizar. Ao
longo da nossa caminhada, nossas lutas já nos mostraram
que organizadas somos mais fortes. Foi pela nossa luta que
conquistamos o reconhecimento da profissão de trabalhadora
rural; a aposentadoria na idade de 55 anos para as
mulheres e 60 para os homens, o salário maternidade também
para mulheres camponesas, o auxílio acidente de trabalho,
entre outras.
Leitora 2:
Temos que ter claro que os governos vêm e vão, mas o povo
organizado permanece. Temos que nos unir para construir um
Projeto Popular para o Brasil: um Brasil com relações
iguais, justiça social e equilíbrio com a natureza; um
Brasil que garanta trabalho e renda digna para todas e
todos, acesso à terra e uma vida digna; um Brasil com uma
política honesta, com a participação do povo; um Brasil
sem desigualdade social.
Leitora 3:
Neste sentido é preciso que intensificamos ações que
afirmem que valores como solidariedade, respeito e
honestidade ainda existem. Estas ações são mais simples do
que imaginamos: vamos garantir a horta, a roça e o jardim
com muita diversidade de plantas, sem veneno. Vamos
guardar sementes para não depender do mercado e trocar
entre nós.
Leitora 1:
Vamos resgatar os mutirões e a troca de favores em nossas
comunidades. Vamos garantir uma alimentação saudável para
nossas filhas e filhos, com os produtos que cultivamos.
Vamos conversar com nossos companheiros e nossos filhos
para que eles entendam que as mulheres da casa também
produzem e devem ajudar nas definições de nossa
propriedade.