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31/08/2006
Tributo a Dom
Luciano
“ A Morte não é
verdade, quando se cumpre bem a obra da vida”.
José Marti
Hoje,
dia 28 de Agosto de 2006, na capital Mineira, o sol não quis se
expor pela manhã sob as montanhas de Minas, dando lugar à uma
garoa fina, alimentadora de vida e de esperança, para regar as
terras secas após o grande período da estiagem, Acreditamos, que
a chuva, veio como forma de lembrarmos do grande semeador de
esperança, de fraternidade, de justiça e de amor.
Sem
dúvida nenhuma nós, homens e mulheres, dos movimentos sociais de
Minas gerais, em especial a Via Campesina, sentimos pela partida
do nosso convívio do semeador Dom Luciano Mendes de Almeida.
Dom
Luciano Mendes, Arcebispo de Mariana, filósofo, homem
comprometido com os mais necessitados, com a justiça e a
dignidade humana, pastor profético da Teologia da Libertação que
encarnou a opção pelos pobres.
Mais
recentemente, nos últimos oito meses discutimos constantemente a
caminhada e o processo de fortalecimento dos movimentos sociais
em MG. Discutimos também o projeto soberano e popular para o
Brasil, através das nossas bandeiras de lutas pela isenção e
redução da tarifa de energia elétrica e pela reestatização da
companhia Vale do Rio Doce.
Na
primeira semana de Abril, em Belo Horizonte, com mais de 3.000
pessoas do campo e da cidade, promovemos um grande ato de
cidadania ao lançarmos a campanha pela redução da tarifa de
energia elétrica , desencadeando a partir daí, uma série de
reuniões com os representantes da CEMIG, estimulando também, os
parlamentares a apresentarem projetos pela isenção da tarifa.
Tudo isso que possibilitou um grande curso de formação de
lideranças sobre os temas no mês de junho.
Dom
Luciano esteve sempre presente, ao lado, junto dos movimentos
sociais nas mobilizações. Em abril deste mesmo ano, por exemplo,
se colocou à frente da tropa de choque do governo do estado que
impedia a caminhada pacífica dos movimentos sociais em Belo
Horizonte. Também quando, em um gesto de justiça e
solidariedade, foi à delegacia visitar os trabalhadores que
foram presos e espancados covardemente pela polícia do Estado,
segundo o depoimento dos trabalhadores.
Defendia como legítima a organização e mobilização dos
trabalhadores. Na ocasião ao receber o título de cidadão honoris
causa, do Estado de Minas Gerai na Assembléia Legislativa disse:
“Tenho acompanhado a luta incansável dos movimentos sociais em
Minas Gerais, estes são, movimentos ordeiros, legítimos e
necessários para a sociedade... Minas Gerais, tem as condições
concreta de ser a pioneira na realização da tão sonhada Reforma
Agrária. Nós deveríamos começar para que outros Estados nos
seguissem como exemplo”.
Em
outra oportunidade, semanas antes de ser internado em São Paulo,
em uma reunião que aconteceu no dia 29 de junho, com
representantes da Via Campesina, nos disse: (depois de ter
apresentado uma caixa com mais de 400 contas de luz para serem
pagas das famílias pobres de Mariana) “Vejam meus irmãos, a
triste realidade social que vive nosso povo, recebemos por dia,
aqui na paróquia, em média 15 famílias em desalento por não
conseguirem pagar a alta tarifa de energia, tendo que escolher
entre pagar a conta ou comprar o alimento da família...”.
Dom
Luciano demonstrou profundo pesar pelo massacre das famílias sem
terra, ocorrido em Felisburgo, em 20 de novembro de 2004, e,
profunda indignação pela morosidade com que os órgãos públicos e
responsáveis vêem tratando o caso das famílias. Dispôs-se a
organizar uma comissão dos Bispos para visitar o acampamento e
pressionar o Governo Do Estado, Federal, INCRA e o Judiciário,
para que não deixassem mais este crime passar impune.
Dom
Luciano falou com orgulho sobre a importância da organização do
Movimento dos Atingidos por Barragens, MST, CPT, MPA, dentre
outros.
Dom
Luciano nos deixou fisicamente, mas o seu amor, suas idéias,
convicções e o seu legado continuam vivos nos nossos corações e
entes.
Dom
Luciano, repouse e viva plenamente, porque nós, homens,
mulheres, crianças e especialmente jovens das organizações que
compõem a Via Campesina continuaremos seus ensinamentos, seu
testemunho e seu exemplo. Companheiro dom Luciano, você, não
morre nunca..., sua força e eterna juventude nos guiarão na
luta, rumo a uma sociedade mais justa fraterna e igualitária.
Via Campesina
– MG
Belo Horizonte, 28 de agosto de
2006.
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