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23/04/2008
Declaração do
Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo
Em defesa
do Limite da Propriedade da Terra
O
Acampamento Nacional do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e
Justiça no Campo (FNRA), em defesa do Limite da Propriedade da
Terra, pela reforma agrária, soberania territorial e
Alimentar, realizado em Brasília entre os dias 14 a 17 de
abril 2008, reuniu mais de duas mil pessoas entre lideranças
das organizações do Fórum, trabalhadores e trabalhadoras
rurais, sem terras, agricultores e agricultoras familiares,
camponeses e camponesas e organizações não-governamentais
convidadas.
Neste
Acampamento os participantes debateram e avaliaram a
atualidade e a urgência de uma reforma agrária ampla, massiva
e participativa. Afirmaram que a terra não é uma mercadoria,
mas uma fonte indispensável de vida e garantia de direitos
humanos. Qualquer pessoa física ou jurídica que se apodera do
direito de expandir ilimitadamente seu poder sobre a terra,
cria o poder da opressão e se afasta do Estado democrático de
direito que tem como fundamento a soberania, a cidadania, a
dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho,
entre outros.
A
Constituição Federal garante o acesso a terra e determina que
só é propriedade aquela que atende uma função social. A
Constituição garante também que todos têm direito ao
meio-ambiente ecologicamente equilibrado e o Poder Público tem
o dever e a sociedade tem o direito de defendê-lo e
preserva-lo para as presentes e futuras gerações. O ambiente,
a terra, não pode ser devastada, pois é um bem de uso comum da
população que deve ser desfrutado, com retidão, para o bem da
comunidade. O direito de acesso a terra, que produz alimentos
saudáveis e de qualidade, e que protege a biodiversidade, é
base da soberania alimentar e garantia de vida. Sem a terra
não há direito à vida.
O
aprofundamento do modelo de agricultura vigente baseada na
monocultura, nas sementes transgênicas, na produção de
agrocombustíveis e no alto consumo de agrotóxicos,
incrementado com incentivo dos poderes públicos, facilita que
parcelas significativas do território brasileiro sejam
adquiridas por pessoas e empresas estrangeiras ameaçando a
soberania territorial do país. Essa lógica acentua a
concentração de terra, poder e renda, destrói a biodiversidade
acelerando o desmatamento de florestas e biomas e contribui
para o aquecimento global, destrói rios, contamina e privatiza
águas, viola os direitos de povos e comunidades sobre seus
territórios, invade terras indígenas, submete homens e
mulheres ao trabalho escravo, produz prioritariamente para
exportação e continua a gerar violência no campo, aprofundando
as desigualdades e submetendo parcelas significativas das
populações a pobreza extrema.
Mesmo
com o poder do agronegócio e das transnacionais há
resistências e lutas sendo travadas pelos movimentos sociais
do campo em todo território nacional. Contudo, é necessário
adicionar novos elementos para potencializar o enfrentamento a
esta situação. Dessa forma, os participantes do Acampamento
denunciaram esse modelo e a morosidade do governo em realizar
a reforma agrária com demora nas ações do Incra para vistorias
e desapropriações, abandono de assentamentos sem as mínimas
condições para a produção e de milhares de famílias acampadas
nas beiras das estradas. Por isso, reafirmaram o direito de se
mobilizar para que o Estado realize a reforma agrária e
garanta os direitos dos povos e comunidades tradicionais aos
seus territórios.
Portanto, é necessário um novo ordenamento fundiário no Brasil
com o aprimoramento e aplicação dos instrumentos
constitucionais existentes, atualização dos índices de
produtividade, aprovação da emenda constitucional que
expropria terras onde há trabalho escravo e adoção de novo
instrumento jurídico que limite a propriedade privada da
terra.
Assim, as organizações e movimentos sociais participantes do
Encontro decidiram iniciar um processo de mobilização nacional
lançando a Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra no
Brasil. Os homens e mulheres que participaram do Acampamento
têm plena consciência de que a Campanha não é um enfrentamento
de curto prazo, mas uma batalha que deve ser travada dia a
dia, de forma incansável, estimulando o engajamento das
organizações e movimentos sociais urbanos e outros setores da
sociedade civil, porque a reforma agrária, soberania
territorial e alimentar é de interesse de toda população. Para
tanto, conclama as forças democráticas da sociedade para
cerrar fileiras e trabalhar juntos para que a Campanha seja
exitosa e ajude a construir o país que todos sonhamos.
Entidades que
compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no
Campo
CONTAG – MST – FETRAF
Brasil – CUT – CPT – CÁRITAS – MMC – MPA – MAB – CMP – CONIC –
CONDSEF – Pastorais Sociais – MNDH – MTL – ABRA – ABONG – APR
– ASPTA – ANDES – Centro de Justiça Global – CESE – CIMI –
CNASI – DESER – ESPLAR – FASE – FASER – FEAB – FIAN-Brasil –
FISENGE – IBASE – IBRADES – IDACO – IECLB – IFAS – INESC –
MLST – PJR – REDE BRASIL – Rede Social de Justiça – RENAP –
SINPAF – TERRA DE DIREITOS – EMPÓRIO DO CERRADO – COIABE –
ABRANDH |
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