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19/08/2008
A
revolução dos incentivos
Marina Silva
São Paulo, segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Fonte: Folha de S.Paulo - Opinião
Há
um ponto crítico na
implementação das medidas para mitigação dos efeitos das
mudanças climáticas e adaptação das sociedades em face da nova
realidade global, após termos cruzado os limites do uso
sensato dos recursos naturais. É nesse ponto que as
negociações empacam: a redução de poluentes afeta o modelo de
produção dos países, sobretudo os desenvolvidos. Levando em
conta as metas que convenções e protocolos internacionais
requerem e o que está em jogo nessa história -a própria
sobrevivência do planeta-, o custo das transformações chega a
ser irrisório, comparado ao volume de riquezas que circula no
mundo e ao gasto atual e futuro para reparar o prejuízo
ambiental. A sociedade pode, de várias formas, incentivar a
mudança de padrão de produção. O consumidor, hoje, quer ir
além da satisfação de necessidades imediatas. Valoriza cada
vez mais produtos que agreguem valores éticos e compromissos
com a sociedade como um todo. A economia que responde a essa
demanda precisa, mais do que nunca, ser oxigenada para
sobreviver e se estabelecer como padrão, constrangendo
positivamente a renitente economia insustentável. No Brasil, a
legislação ambiental evoluiu muito no que diz respeito aos
instrumentos de proteção ambiental. Agora chegou a hora de
concentrar esforços em criar e aperfeiçoar normas e
instrumentos de apoio às atividades econômicas sustentáveis.
Isso significa acolher e reconhecer os esforços de lideranças
empresariais e comunidades que já vêm adequando de forma
pioneira seus métodos de produção, para poupar recursos
naturais. E aqueles que ainda não incorporaram conceitos de
sustentabilidade aos seus negócios, devem ser estimulados a
fazê-lo. Nessa linha, há projetos importantes no Congresso.
Pelo menos três devem ser citados. O Imposto de Renda
ecológico, que dá benefícios fiscais a quem contribui com
projetos ambientais, a exemplo do que existe nas áreas de
assistência social, cultura e esportes. O projeto que altera a
lei de licitações, para que as compras públicas, "sempre que
possível", adotem especificação "que considere critérios
ambientais". E o chamado FPE Verde, que redistribui 2% do
Fundo de Participação dos Estados proporcionalmente à área, em
cada Estado, protegida por unidades de conservação e terras
indígenas. Mas ainda são iniciativas isoladas. Temos que fazer
a revolução dos incentivos, assim como aconteceu, em outros
tempos, para impulsionar a industrialização. Estamos na
pré-história dessa revolução. É preciso determinação da
sociedade e do Estado para inverter o sinal e mudar de era.
contatomarinasilva@uol.com.br |
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