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16/03/2007
A Monocultura com
eucaliptos e a Sustentabilidade
Prof. Dr. Ludwig
Buckup (UFRGS e ONG IGRE)
Porto Alegre,
março 2006
Por
informações vinculadas pela imprensa (Zero Hora 27/09/2005)
tornou-se público que está em fase de implementação um programa
de plantio extensivo de árvores exóticas em território
sulriograndense, a titulo de "florestamento" e/ou
"reflorestamento".
A
iniciativa seria das empresas Aracruz Celulose, uma
transnacional controlada pelos grupos Lorentzen, da família real
norueguesa, e ainda do grupo Safra, do grupo Votorantin e da
empresa sueco-finlandesa Stora Enso.
O
espaço geográfico reservado para esta iniciativa seria a metade
sul do estado, ou seja, a região localizada no extremo
meridional do país, na fronteira com o Uruguai e a Argentina,
considerando-se uma linha imaginária que dividiria o Rio Grande
do Sul a partir da BR-290.
Três
grupos de espécies procedentes de outras regiões do mundo,
pertencentes aos gêneros Eucalyptus, Pinus e
Acacia, serão utilizadas nas plantações.
Como
meta inicial, anunciou-se o plantio das exóticas em 150.000
hectares durante os próximos cinco anos. Destes, 70.000 hectares
serão destinados ao plantio de espécies do gênero Eucalyptus.
O
governo do Estado do Rio Grande do Sul vem apoiando fortemente
os planos das referidas empresas, considerando que a sua
implementação implicaria a descoberta de uma nova vocação para a
metade sul do estado, à qual levaria desenvolvimento econômico e
social além da geração de empregos e de renda.
A
CaixaRS, do governo de Rio Grande do Sul, integrou-se ao apoio
governamental, criando o Programa de Financiamento Florestal
Gaúcho – PROFLORA CaixaRS, oferecendo recursos financeiros para
o plantio de florestas comerciais.
O
aspecto preocupante na iniciativa da CaixaRS é a afirmativa que
foi incluída no material promocional do PROFLORA, a seguir
referida.
Diz a
CaixaRS que o plantio de florestas comerciais estaria "...colaborando
com a sustentabilidade do planeta...", o que é totalmente
improcedente.
Os
compromissos específicos assinados pelo Brasil durante a ECO-92
incluem três convenções: uma sobre Mudança do Clima,
sobre a Biodiversidade e uma Declaração sobre
Florestas. A Conferência também aprovou a Declaração do
Rio e a Agenda 21. Ambos endossam o conceito
fundamental de desenvolvimento sustentável, que preconiza a
combinação do progresso econômico e material com a necessidade
de uma consciência ecológica. A expressão "sustentabilidade"
preconizada pela Agenda 21 Brasileira, entende que, a
Sustentabilidade deve ser entendida nas suas
múltiplas facetas, entre outras, a Sustentabilidade ecológica
(referindo-se à base física do processo de crescimento); a
Sustentabilidade ambiental (referindo-se à manutenção da
capacidade de sustentação dos ecossistemas em face das
interferências antrópicas); a Sustentabilidade social
(referindo-se ao desenvolvimento); e a Sustentabilidade
política, como ao processo de construção da cidadania, nas
várias nuances.
Num
primeiro momento as monoculturas florestais poderão até gerar
lucros financeiros aos promotores, que no entanto, serão
amplamente superados pelos custos ambientais decorrentes deste
tipo de iniciativa. Primeiramente, será necessário lembrar que o
espaço meridional do Rio Grande do Sul não é um vazio
ecológico. Trata-se do Bioma Pampa, de grande valor para a
biodiversidade, com grande número de espécies vegetais e animais
e diversos casos de endemismos. Do ponto de vista ambiental e do
conceito da sustentabilidade a remoção da madeira após sete anos
de crescimento não pode ser avaliada apenas como ganho líquido.
Para a formação da biomassa vegetal a árvore em crescimento
removeu do substrato uma apreciável quantidade de nutrientes que
não voltarão ao solo, porque não haverá o ciclo normal de
nutrientes que caracteriza uma floresta nativa.
Conseqüentemente, já pelos aspectos acima referidos, não haverá
sustentabilidade alguma nas monoculturas arbóreas, porque
haverá perda de riqueza do solo e a paisagem ficará mais pobre
após a colheita da madeira.
Entre
os elevados custos ambientais da implantação de monoculturas
arbóreas em extensas áreas do estado destacam-se as perdas
previsíveis de recursos hídricos, tanto do solo como dos
ambientes lóticos. As espécies de eucaliptos são conhecidas não
apenas pelas suas fibras apropriadas para a indústria de
celulose, mas também pela sua alta atividade
evapo-transpiratória. A literatura especializada, em várias
partes do mundo, contém relatos detalhados e qualificados sobre
o tema, como se detalha a seguir:
A revista científica SCIENCE,
editada pela American Association for the Advancement of Science
(AAAS), publicou recentemente (vol.310, 23/12/2005, p.
1944-1947) um artigo sob o título "Trading Water for Carbon
with Biological Carbon Sequestration" e assinado por Robert
B. Jackson1,
Esteban G. Jobbágy1,2,
Roni Avissar3,
Somnath Baidya Roy3,
Damian J. Barrett4,
Charles W. Cook1,
Kathleen Farley1,
David C. le Maitre5,
Bruce A. McCart6
e Brian C. Murray7.
Os
autores representam diversas instituições de pesquisa, de vários
continentes, como o 1 Department of Biology, Nicholas
School of the Environment and Earth Sciences, and Center on
Global Change, Duke University, Durham, NC 27708–1000, USA.
2Grupo de Estudios Ambientales–Instituto de Matematica
Aplicada de San Luis (IMASL), Universidad Nacional de San Luis
and Consejo Nacional de Investigaciones Cientificas y Tecnicas (CONICET),
San Luis 5700, Argentina. 3Department of Civil and
Environmental Engineering, Duke University, Durham, NC 27708,
USA. 4Commonwealth Scientific and Industrial Research
Organisation (CSIRO) Land and Water, Canberra, ACT, Australia
2601. 5Natural Resources and Environment CSIR,
Stellenbosch 7599, South Africa. 6Department of
Agricultural Economics, Texas A&M University, College Station,
TX 77843, USA. 7Center for Regulatory Economics and
Policy Research, Research Triangle Institute, Research Triangle
Park, NC 27709, USA.
A
revista Science ocupa um lugar de grande destaque no cenário
científico, ostentando um índice de impacto superior a 20,
segundo o ISI Citation Index, o que não deixa dúvidas sobre a
qualidade e a confiabilidade do conteúdo dos artigos que são ali
publicados.
O
artigo em pauta concentra-se no fato de que as estratégias para
o seqüestro do carbono destacam apenas as plantações de árvores,
sem levarem em conta as suas conseqüências ambientais. Os
autores combinam o resultado de observações de campo, sínteses
de mais de 600 observações e modelagem climática e econômica,
para documentar perdas substanciais no fluxo dos rios e
salinização e acidificação elevados em conseqüência do
florestamento. As plantações reduziram globalmente o fluxo
fluvial por 227 milímetros por ano (52%), e 13% dos rios secaram
completamente durante no mínimo um ano. Modelagens regionais
realizadas no EUA sugerem que o feedback climático dificilmente
poderia anular tais perdas, podendo até exacerbá-las.
Os
resultados relatados em SCIENCE não são novidades no cenário
científico que se ocupa com as monoculturas arbóreas. Vários
outros autores já descrevam, com detalhes, os efeitos negativos
das florestas plantadas com espécies exóticas sobre os recursos
hídricos. As referências a seguir são significativas:
“Streamflow responses to afforestation with Eucalyptus
grandis and Pinus patula and to felling in the
Mokobulaan experimental catchments, South África”
é o título de um artigo publicado por David F. Scott e W.Lesch,
ambos do Jonkershoek Forestry Reseacrh Centre (CSIR) em
Stellenbosch, África do Sul, no Journal of Hydrology [v.199
(1997):360-377]. Os autores descrevem a redução do volume
fluvial após florestamento de paisagens de campo com
Eucalyptus grandis e Pinus patula nas áreas
experimentais de drenagem de Mokobulaan e das escarpas de
Mpumalanga e ainda, as respostas subseqüentes ao abate das
plantações. Florestamento com Eucalyptus causou um
decréscimo significativo da descarga fluvial no terceiro ano
após o plantio e no nono ano, o rio secou completamente. Os
eucaliptos foram derrubados após 16 anos, mas o retorno pleno da
descarga fluvial ainda não havia ocorrido no quinto ano
subseqüente. Florestamentos com Pinus igualmente
resultaram em decréscimo da descarga fluvial a partir do quarto
ano e o rio secou inteiramente no décimo segundo ano após o
plantio.
Sob o
título "Invasive alien trees and water resources in South
Africa:
case studies of the costs and benefits of management",
publicado em Forest Ecology and Management 160 (2002) 143–159,
os pesquisadores D.C. Le Maitre, B.W. van Wilgen, C.M.
Gelderblom, C. Bailey, R.A. Chapman e J.A. Nela, ligados ao CSIR
Division of Water, Environment and Forestry Technology, P.O. Box
320, Stellenbosch 7599, South Africa e ao CSIR Division of Water,
Environment and Forestry Technology, P.O. Box 395, Pretoria
0001, South Africa relatam que plantas exóticas invasivas estão
reduzindo a descarga fluvial na África do Sul, em níveis de até
6,7 % de acordo com estudos realizados em larga escala. Segundo
os autores, um programa efetivo capaz de colocar as invasões sob
controle custaria cerca de US$ 92 milhões por ano durante os
próximos 20 anos . O artigo relata os estudos realizados nas
bacias de Sonderend, Keurbooms, Upper Wilge e Sabie-Sand. As
principais invasoras das bacias fluviais são o Pinus no
Sonderend e Keurbooms, Eucalyptus no Upper Wilge e
Pinus, entre outros, no Sabie-Sand. As invasões das bacias
são dominadas por Acacia mearnsii e por A. dealbata.
A primeira, conhecida no Brasil como "Acácia negra", já é
plantada no nosso país em larga escala. Considerando-se a atual
taxa de expansão das invasões, estima-se que a redução do volume
de água dos ambientes lóticos atinja 41,5, 95,5, 25,1 e 22,3%,
respectivamente, em cada bacia, durante os próximos 23 anos.
V. C.
MORAN1, J. H. HOFFMANN2, D. DONNELLY3,
B. W. VAN WILGEN4 e H. G. ZIMMERMANN5 (1Departments
of Zoology and of Botany, University of Cape Town, Rondebosch,
7701, South África; 2Department of Zoology,
University of Cape Town, Rondebosch, 7701, South África; 3Plant
Protection Research Institute, Private Bag X5017, Stellenbosch,
7600, South África; 4Environmentek, CSIR, P.O. Box
320, Stellenbosch, 7599, South África e 5Plant
Protection Research Institute, Private Bag X134, Pretoria, 0001,
South África), em seu artigo "Biological Control of Alien,
Invasive Pine Trees", (Pinus species) in South Africa,
publicado em Proceedings of the X International Symposium on
Biological Control of Weeds (4-14 July 1999, Montana State
University, Bozeman, Montana, USA, descrevem um ambicioso
programa de longo alcance, o "Working for Water", cujo custo é
avaliado em US$70 milhões por ano e empregando cerca de 42.000
pessoas, tendo objetivos fortemente conservacionistas e a meta
de aumentar o suprimento de água para a África do Sul. O
programa pretende aumentar as descargas fluviais pela remoção
das espécies arbóreas invasivas, especialmente das espécies de
Pinus, das bacias e dos cursos fluviais.
Nem
todas as infestações com plantas alienígenas usam mais água do
que a vegetação natural que substituíram, porém, como regra
geral, segundo os mesmos autores, árvores utilizam mais água do
que ervas e arbustos (Bosch e Hewlett 1982; Dye 1988; Dye 1996;
Smith e Scott 1992). O maior impacto ocorre quando a vegetação
periodicamente dormente é substituída por plantas sempre-verdes.
Assim, nas regiões onde a paisagem herbácea ou arbustiva é
invadida por espécies alienígenas, a utilização geral da água
pela vegetação cresce, deixando menos água para os rios. Os
experimentos dos autores foram realizados em regiões com
elevados índices de pluviosidade, onde campos herbáceos e
arbusivos foram florestados com Pinus e Eucalyptus.
Alguns exemplos típicos dos resultados incluem 82% de redução da
descarga fluvial no KwaZulu-Natal Drakensberg, 20 anos após
plantações com Pinus (vide Bosch 1979); 55% de redução do
volume dos rios das bacias da Província Fitogeográfica do Cabo
no Western Cape, 23 anos após o plantio de Pinus (vide
van Wyk 1987); e morte total de rios seis a doze anos após a
substituição de campos herbáceos e arbustivos por plantações de
Pinus e de Eucalyptus na Mpumalanga Province (van
Lill et al. 1980).
Em
nosso meio a elevada capacidade evapo-transpiratória das
espécies do gênero Eucalyptus começou a ser estudada e
avaliada há mais de três décadas. Talvez a contribuição mais
antiga e tecnicamente mais qualificada seja o artigo publicado
por Zoraido da Silva Vieira Ceroni do antigo Instituto de
Ciências Naturais da UFRGS, em 1972, no periódico Iheringia
(série Botância, no 10), da Fundação Zôo-Botânica do Rio Grande
do Sul, sob o título "Média Anual de Transpiração no
Eucalyptus rostrata e suas relações com o meio através do
método cut-leaf". A investigação foi orientada pelos
Professores.Dr.Alarich Schultz e Dr. Karl Hogetop da UFRGS,
revelando as seguintes informações: (1) A taxa de transpiração
de Eucalyptus rostrata varia de 3 a 21 litros por hora
durante o ano, colocando-a entre os vegetais com maior
transpiração que se conhecia e (2) partindo-se de uma média de
10 litros por hora e levando-se em conta as dez principais horas
do dia, o autor estimou a transpiração em 100 litros por dia de
10 horas. Portanto, haveria uma transpiração, pelos estômas, da
ordem de 36.500 litros, em média, por ano. Acrescentando-se e
evaporação epidérmica, considerada como sendo de 4 % do total,
chegar-se-ia a 36.646.litros eliminados por ano.
Embora
a espécie Eucalyptus rostrata não esteja entre as mais
utilizadas em projetos florestais - E.grandis, E. citriodora
e E. saligna são usados mais freqüentemente - o exemplo é
certamente representativo para as características
eco-fisiológicas das espécies deste gênero Eucalyptus, de
origem Australiana.
As
informações existentes sobre a alta capacidade
evapo-transpiratória das espécies do gênero Eucalyptus,
leva a um questionamento inevitável: como esta enorme quantidade
de água perdida para a atmosfera poderá retornar ao solo e aos
cursos dos rios ? A resposta precisa resultar de uma estimativa
quantitativa, como segue:
Anunciou-se uma meta de implantação de 150.000 hectares de
florestamentos nos próximos cinco anos, na metade sul do estado
do Rio Grande do Sul (Zero Hora 27/09/2005). 70.000 ha serão
destinados ao eucalipto. Seguindo-se a orientação da EMBRAPA
teríamos espaçamentos de 3x2 e 3x3 m, os quais favorecem os
tratos culturais. Vide.
http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Eucalipto/CultivodoEucalipto
/04_02_01_espacamento.htm
Os
técnicos do Ambientebrasil informam que, visando a produção de
madeira para laminação, serraria e para papel e celulose,
geralmente são utilizados os espaçamentos de 3,0 x 2,5 (1.333
árvores/ha) ou 3,0 x 2,0 (1.666 árvores/ha). Relatam ainda que
com o advento dos plantios clonais, as empresas de celulose
passaram a adotar espaçamentos mais largos (como o de 3 m x 3
m), que suprem o maior espaço aos genótipos idênticos. (http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./florestal/index.html&conteudo
=./florestal/eucalipto.html#b).
Portanto, aceitando-se uma densidade média de 1.300 árvores por
hectare, teremos 91 milhões de árvores em desenvolvimento
durante os próximos sete anos. Conseqüentemente, com base nos
dados levantados por Ceroni (op.cit), as plantações
levarão para a atmosfera, por ano, 3.321.500.000.000 (3,32
trilhões) de litros de água. Na média plurianual histórica, os
índices pluviométricos do pampa gaúcho são estimados em 1.500
mm, por ano. Assim, sobre os 70.000 ha com eucaliptos, cairá uma
precipitação pluvial média, anual, de 1,05 trilhões de litros de
água. Percebe-se que este valor é pelo menos 3 vezes menor do
que a quantidade de água eliminada pelas árvores plantadas e
isto em anos de normalidade pluviométrica. Em muitas regiões da
campanha os valores normais das chuvas tem médias plurianuais
mais baixas (Bagé: 1.414 mm; Livramento: 1404 mm; D.Pedrito:
1376 mm; Uruguaiana: 1.356 mm e Santa Vitória do Palmar: 1.186
mm). E é neste momento que os cursos d´água e o subsolo acabam
por entregar as suas reservas, resultando em progressiva redução
da vazão dos ambientes lóticos, freqüentemente resultando em
completo dessecamento e morte dos rios, como já se viu em muitas
outras regiões do mundo (vide fontes acima citadas).
A
capacidade do eucalipto em secar o solo já foi aproveitada em
vários lugares onde havia conveniência em secar banhados para os
mais diversos fins. Talvez o exemplo mais representativo seja o
caso da empresa paulistana fundada em 1912 com o nome de "City
of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited",
a Companhia City,como ficou conhecida. A empresa contratou os
urbanistas ingleses Barry Parker e Raymond Unwin para o projeto
de um bairro que ficaria conhecido como Jardim América.
Previamente a isso, a Cia. City havia adquirido duas áreas que
totalizavam aproximadamente 960.000 m2 e localizadas
na antiga Chácara Bela Veneza e na Freguesia da Consolação que
eram áreas inóspitas e inundadas em boa parte do ano por estarem
situadas na várzea do Rio Pinheiros. Para drenar as terras
próximas constantemente alagadas, a partir de 1927 foram
plantados milhares de eucaliptos, que em poucos anos cumpriram a
sua missão. Transformaram as áreas pantanosas influenciadas
pelas enchentes do rio Pinheiros em bairros de grande valor e
alta qualidade urbanística – o Jardim Europa e o Jardim América.
Algumas destas árvores ainda estão lá testemunhando seu papel do
passado.
Porto Alegre,
20 de março de 2006
Prof.Dr. Ludwig Buckuo
(UFRGS/ONG-IGRÉ)
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