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08/02/2006
Camaradas camponesas

Camaradas camponesas
É muito bom expressar
O que sinto nesta hora
Pois vou tentar relatar
De forma bem nordestina
O que vamos realizar

Somos dezesseis estados
Com muita diversidade
Onde as mulheres da roça
Lutam pela a igualdade
E vamos construir com certeza
Uma nova sociedade

Más a luta só tem sentido
Porque agente consegue entender
A luta de cada estado
Seu jeito e seu modo de ser
É juntando as diferenças
A luta fortalecer

E outra forma de lutar
Por nossa libertação
É nos organizar na base
E fazer muita formação
Pois só estudando muito
Consolida uma organização

Por isso lutamos muito
E chega a hora afinal
De nos reunir em Brasília
Em missão fundamental
Realizar a primeira etapa
De nossa escola nacional

De 06 a 08 de dezembro
Com força, fé e firmeza
Nossa primeira tarefa
Nos foi dada com clareza
Trabalhar nossa identidade
De mulher, feminista e camponesa

Nos reunimos em grupo
E fomos colar e escrever
Como é que nós nos vemos
E como é que os outros nos vê
E como nós camponesas
Pra o mundo quer aparecer

Foi um exercício legal
De formação e integração
Depois do trabalho de grupo
Veio a constatação
Somos mulheres camponesas
De luta fé e ação

Também somos lutadoras
Mãe, amiga e solidária
Geradoras e cuidadoras da vida
E em nossa vida diária
Pela justiça e a vida
Fazemos o necessário

Em seguida veio a hora
De conversar e concluir
Que projeto de agricultura
Nos queremos construir
E vejam o que nos grupos
As mulheres vão definir

Começaram a apresentar
Cada grupo com mais firmeza
Nós queremos um projeto
De agricultura camponesa
Que contemple as diversidades
E respeite a natureza

Nós queremos produzir
De forma bem consciente
Usando sementes crioulas
Pra garantir comida decente
Respeitar a vida como todo
Os rios e suas nascentes

Em outro trabalho de grupo
Falamos do que já fizemos
Como conseguimos fazer
No projeto que queremos
Saiu nossa experiência
Das comunidades que vivemos

Nós somos agricultoras
Mulher firme e decidida
Preservamos a natureza
E produzimos comida
Fortalecemos a luta
Em defesa da vida

Somos mulheres da roça
E parte da natureza
Pra melhorar nossas vidas
Escolhemos com firmeza
Ser militantes do movimento
De mulheres camponesas.

E pra descontrair
E alegrar a mulherada
Fizemos a confraternização
Com o nome anja camarada
O nome que nós tiramos
Era nossa camarada

Cada uma trouxe uma lembrança
Pra sua camarada de presente
A anja durante dois dias
Tomava conta da gente
E a noite começamos
Nossa troca de presentes

Más eu vou lhes confessar
Que pra mim foi uma agonia
Começaram chamar as camaradas
Minha anja não aparecia
Cada nome eu mim empolgava
Mas meu nome não saia

Quase no fim da brincadeira
Eu já não agüentava mais
Saiu finalmente meu nome
Minha anja não esqueço jamais
Quem me tirou foi a Celma
Do estado de Goiás

Agora vou encerrar
Esta literatura sutil
Nos vemos na próxima etapa
Da escola do Brasil
Farei uma nova moda
Ano que vem em abril

E para quem não me conhece
Vou escrever no papel
Meu nome é Eleny
Na luta firme e fiel
E moro em Porto Franco
No Acampamento Oziel.

Eleny Rego Silva, MMC- MA
Dezembro de 2005

 
 

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