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06/09/2005
Nossa pátria
D. Demétrio
Valentini
O mês
de setembro nos introduz, já de início, na Semana da Pátria.
Talvez como nunca, neste ano sentimos a importância de nos
voltarmos para a Pátria, e acertarmos os ponteiros com ela. O
Brasil é tão grande, e tão generoso, que dá pena ver como é
tratado por nós brasileiros. É notório o encanto de quem vem ao
nosso país, e admira as maravilhas com que a natureza o dotou,
prodigamente.
Migrantes que costumam andar por este mundo a fora, à cata de
riquezas para levar para sua pátria mãe, quando vêm para o
Brasil, acabam ficando aqui mesmo, atraídos por esta terra
generosa.
O Brasil abriu suas portas, para acolher tantas raças e
culturas. Em termos de Igreja Católica, de trezentos bispos,
mais de cem são estrangeiros de origem, mas profundamente
brasileiros de adoção. O Brasil adota, o Brasil atrai, o Brasil
encanta, o Brasil integra.
Mas,
agora, a situação do Brasil inquieta. Existe uma preocupação
ecológica, diante de tantas violências praticadas contra a
natureza, na floresta amazônica, no cerrado, na mata atlântica,
na poluição dos rios, no risco de poluição do "aqüífero
guarani", a nova riqueza descoberta no exato momento em que o
mundo se dá conta do risco de escassez da água como a ameaça
mais assustadora que a humanidade tem pela frente. Esta
abundância de água, partilhada com nossos países vizinhos da
América Latina, parece nos dizer que aqui é mesmo, sem sombra de
dúvida, uma terra para se viver.
Em meio
a tantos sinais que a natureza nos dá, o que falta de nossa
parte? Constrangidos, diante de tantas denúncias de corrupção,
de cenas de violência, de situações de desemprego, de
desigualdades gritantes, de miséria desumana em contraste com a
concentração injusta das riquezas
nas mãos de poucos, percebemos que nos falta um projeto de país
que corresponda melhor à generosidade da pátria que nos acolhe a
todos.
Faz
tempo que as pastorais sociais, e os movimentos populares, estão
colocando o desafio de definirmos que país queremos construir.
"O Brasil que nós queremos", foi o tema da segunda Semana Social
Brasileira, realizada em meados da década de noventa. A Quarta
Semana Social volta com a mesma insistência, nos convocando
desta vez a um "mutirão por um novo Brasil".
A
Pátria nós a recebemos, como um dom. O País precisa ser
construído. A utopia distante já foi sonhada, em termos de um
Brasil " politicamente democrático, economicamente justo,
socialmente solidário, culturalmente plural, religiosamente
ecumênico, e ecologicamente sustentável".
Mas não
basta a utopia. O desafio de agora é encontrar as mediações
práticas e concretas para que esta utopia comece a acontecer.
Para isto, se requer a nossa participação, consciente e
organizada, mesmo que lenta e penosa. Este o apelo de nossa
Pátria neste ano.
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