|
16/03/2007
2ª Marcha em
Defesa da Reforma Agrária e pela Viabilização dos Projetos de
Assentamentos em Roraima
Carta
convocatória
Estamos
diante de um momento crítico na agricultura camponesa no Estado de
Roraima, a falta de perspectivas de desenvolvimento e de
estruturas mínimas nos assentamentos e áreas de colonização, estão
levando os pequenos agricultores ao desânimo. Os camponeses de
Roraima padecem pela falta de políticas públicas sérias e
programadas. Os pequenos agricultores não conseguem dar respostas
aos pequenos desafios encontrados em suas parcelas rurais (lotes).
A falta de infra-estrutura, incentivo, informação e a não
compreensão do que estar acontecendo no mundo, tornando o camponês
um eterno dependente das estruturas de governo e um escravo dos
políticos em época de eleição. Necessitamos desenvolver políticas
públicas no qual a prioridade é tornar o pequeno agricultor
independente, autônomo, autoprodutivo, para sobreviver com sua
família.
Outra
situação preocupante é a grande concentração de áreas de terras
públicas e ocupação irregular praticados por fazendeiros e
oportunistas articulados politicamente com as elites dominantes,
estão edificando feudos e retirando a possibilidade deste Estado
se desenvolver através da agricultura camponesa.
Temos
urgência em dar resposta a toda esta situação, por isso convocamos
você companheiro trabalhador rural, sem terra, assentado, pequeno
agricultor, indígenas e os trabalhadores urbanos em geral para
participar da 2ª Marcha em Defesa da Reforma Agrária e pela
Viabilização dos Projetos de Assentamentos em Roraima. Data:
15 a 17 de abril de 2007 (domingo a terça-feira). Local de
concentração (saída): Sede do Município do Cantá/RR.
Lutamos
para construir um projeto popular para Roraima e um novo Brasil,
baseado na justiça social e na dignidade humana.
Objetivo geral da Marcha:
a) Eliminar a pobreza do campo,
através de políticas e ações públicas de forma integrada com os
movimentos sociais.
b) Lutar para garantir a
infra-estrutura de estrada, demarcação dos lotes, eletrificação
rural, saúde, segurança e educação diferenciada.
c) Destinar o acesso às terras
públicas, existentes em Roraima, aos trabalhadores rurais sem
terra.
d) Lutar para garantir financiamento
a juros baixos e na época certa aos camponeses de Roraima, de
forma desburocratizada e sem discriminação.
e) Lutar para garantir financiamento
subsidiado para que os agricultores desenvolvam projetos de
conservação ambiental.
f) Lutar para garantir condições de
comercialização e valorização dos produtos provenientes dos
assentamentos e áreas de colonização.
g) Combater a desigualdade social,
todas as formas de exploração dos camponeses e a degradação da
natureza que têm suas raízes na concentração da propriedade e
ocupação irregular de terras da União.
h) Garantir trabalhos e educação
diferenciada para todas as pessoas que vivem no campo, combinando
com distribuição de renda.
i) Garantir a soberania alimentar de
toda população Roraimense, produzindo todos os alimentos
necessários com qualidade e desenvolvendo os mercados locais e
combatendo o assistencialismo.
j) Garantir a participação
igualitária das mulheres que vivem no campo em todas as
atividades, em especial no acesso a terra, na produção e gestão,
buscando superar a opressão histórica imposta às mulheres.
k) Preservar a biodiversidade
vegetal, animal e cultural de cada região do Estado de Roraima, e
que formam nossos distintos biomas (lavrados, florestas nativas e
florestas em transição).
l) Garantir condições de melhoria da
vida para todas as pessoas e oportunidades iguais de trabalho,
renda, educação diferenciada, moradia e lazer, estimulando a
permanência no campo, em especial a juventude.
m) Promover ações e políticas
públicas para garantir a permanência da juventude no campo.
n) Garantir os territórios aos
camponeses, extrativistas, comunidades tradicionais e indígenas
respeitando a sua cultura e suas formas de organização.
o) Promover a reestruturação do
INCRA, enquanto gestor da reforma agrária.
Pretendemos, no último dia da marcha, entregar um documento
contendo as reivindicações dos trabalhadores ao Governo do Estado,
ao Banco da Amazônia e a Superintendência Regional do INCRA. Este
documento também será entregue ao Presidente da República no mês
de maio/2007, quando acontecerá o 5° Congresso Nacional dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra em Brasília/DF, onde
participará uma Delegação de Representantes de Roraima.
Solicitamos sua colaboração para construirmos juntos este
documento que irá expor a realidade vivida pelos camponeses de
Roraima.
Vamos a
Marcha, vamos à luta, articule os seus companheiros e vamos
construir uma proposta de viabilidade da agricultura camponesa em
Roraima.
Boa Vista/RR,
14 de fevereiro de 2007.
A Coordenação:
Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra – MST/RR
Central dos Assentados de
Roraima – CAR
Comissão Pastoral da Terra –CPT/RR
Movimento das Mulheres
Camponesas – MMC/RR
Movimento Nós Existimos
Apoio:
Êxito
Consultoria e Projetos
Instituto de Cidadania e
Educação Política de Roraima – ICEP
|