|
Fórum Nacional pela
Reforma Agrária e Justiça no Campo
Aos
donos destas Sesmarias
As organizações que compõe o
Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA)
não estranharam a reação da oligarquia fundiária diante da
declaração do Presidente Lula de determinar a assinatura da
Portaria Interministerial atualizando os índices
produtividade da terra. Abaixo dos índices estipulados as
propriedades consideradas improdutivas podem ser
desapropriadas.
Os atuais índices definidos em
1974 correspondem à produtividade que se apresentava nos
campos nos anos sessenta, quando a tecnologia estava
restrita ao tratorzinho Zetor 25A e a semeadura e a colheita
eram realizadas quase que manualmente. A revolução
tecnológica dos anos setenta, oitenta e impulsionada pela
adoção do plantio direto, pela informatização dos anos
noventa e pela maior disponibilidade de crédito agrícola fez
a produtividade se multiplicar várias vezes. Ainda assim, os
representantes do agronegócio nacional & internacional se
mobilizam contra a atualização de um Decreto anacrônico
expressando a sua prepotência de estar acima de qualquer
fiscalização e supondo-se donos da legitimidade seqüestrada
para editar as leis do Estado.
A Bancada Ruralista,
representação parlamentar desta oligarquia atrasada, levanta
o dedo tal como fazia diante das senzalas, e gesticula
chantageando boicotar as pautas de votação da Câmara e do
Senado Federal. Afirma que não vai aprovar os projetos de
interesse do governo. De saia ou de terno fino e muita
dívida nos bancos oficiais, a Bancada rosna pelos gabinetes
do Congresso Nacional.
Nós, dos movimentos
populares,pastorais e sindicais fizemos a nossa parte,
mobilizamo-nos e apresentamos pautas que, em sua
diversidade, traziam em comum a reivindicação pela
atualização dos índices de produtividade. Homens, mulheres,
jovens e crianças do campo não se cansaram de marchar pelo
direito de acesso a terra. Aprendemos, durante os dois
mandatos de Lula, que há necessidade de disputar espaços
mesmo em governos simpáticos às nossas lutas.
Os representantes do patronato
rural herdeiros do autoritarismo das sesmarias desaprenderam
a importância do aprendizado. Vivem imbuídos da petulância
do poder ilimitado sobre as coisas e os homens. O Ministro
Reinhold Stephanes, da Agricultura declarou que o impacto do
Decreto não ultrapassará 5% dos imóveis passíveis de
desapropriação para reforma agrária. Mesmo assim, os
representantes das federações patronais, aproveitando a
familiaridade com os donos das grandes emissoras de
comunicação, declararam que o Decreto pela produtividade era
um desserviço à nação.
Falam de que nação? Da nação
coberta pelos vastos campos de soja, dos pastos que avançam
sobre as lavouras de alimentos, das imensidões vazias
plantadas com transgênicos, das grandes plantações de
cana-de-açúcar que enegrece o céu nas épocas da queimada, ou
das grandes plantações de eucaliptos onde não sobrevive nem
formiga? Esta é a nação deles, não a nação sustentável que
pretendemos criar para nossos descendentes. Os donos dos
capitães-do-mato tomaram gosto pelo mercado internacional,
que como o capital não tem pátria nem nação.
As agricultoras e
agricultores, lavradores de terras e domesticadores de
sementes, continuarão a produzir os alimentos necessários à
mesa dos brasileiros. São os que chamam a terra de mãe. Por
isso, avançarão na história por sobre todos os obstáculos. O
Decreto é uma luta simbólica e necessária para a reforma
agrária.
Neste momento, o presidente
Lula está ponderando entre as necessidades de
governabilidade do Estado e o ano eleitoral que se avizinha.
O que faz um governante não é o voto nem a
institucionalidade, mas os compromissos que assume com o seu
povo. Temos certeza, enquanto trabalhadores e trabalhadoras
rurais, que o Presidente Lula ao afirmar que vai editar o
Decreto atualizando os índices de produtividade para fins de
reforma agrária, o fez não,
simplesmente,
como chefe da Nação, mas como cidadão que compreende que sem
resolver a questão rural, não haverá paz nem desenvolvimento
nas cidades.
Brasília-DF, 21 de setembro de
2009.
Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo
CONTAG – MST – FETRAF Brasil - CUT - CPT – CÁRITAS
BRASILEIRA – MMC – MPA – MAB - CMP - CONIC – CONDSEF –
Pastorais Sociais da CNBB - MNDH – MTL – ABRA – ABONG - APR
– ASPTA – ANDES – Centro de Justiça Global - CESE – CIMI –
CNASI – DESER – ESPLAR – FASE – FASER – FEAB – FIAN-Brasil –
FISENGE - IBASE – IBRADES – IDACO – IECLB - IFAS – INESC –
MLST – PJR – REDE BRASIL sobre Instituições Financeiras
Multilaterais – Rede Social de Justiça e Direitos Humanos -
RENAP – SINPAF – TERRA DE DIREITOS – EMPÓRIO DO CERRADO –
COIABE – ABRANDH – ABEEF - Comissão de Justiça e PAZ – Grito
dos Excluídos – Jubileu Sul/Brasil – Mutirão Nacional pela
Superação da Miséria e da Fome. |