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Cultura

Adriana Almeida

O tornar-se humano processa-se gradualmente dentro da cultura que é construída no cotidiano. As pessoas vão se tornando humanas na medida em que vão construindo seu modo de ver, ser, pensar e agir dentro da sociedade – por suas atitudes e posturas das mais variadas. Sendo assim, o ser humano (mulheres e homens) tem a capacidade para criar e recriar sua própria história.

O conceito de cultura como modo de vida - o modo de ver, sentir, pensar e agir de uma sociedade ou comunidade - aplica-se a todas as práticas, materiais e simbólicas, do grupo ou sociedade em questão: os modos de fazer, as expressões corporais, as crenças, os saberes, os gostos, os hábitos e estilos, as artes, as religiões, as profissões, concepção de mundo, os conceitos de natureza, de sociedade e de humanidade, as noções de sagrado, de proibido, de obrigatório, as relações econômicas, políticas, trabalho, familiares, valores e princípios de vida entre as pessoas.

Neste olhar a cultura corresponde ao modo de vida de um grupo, povo ou nação, constituindo e expressando o seu modo de ver, sentir, pensar e agir. Esta concepção parte do princípio de que todos os povos possuem cultura e de que nenhuma cultura é superior a outra.

No que se refere a compreensão dos papéis sociais (mulher, homem) dentro do processo histórico-cultural, é refletir sobre uma realidade concreta (cotidiana). Encontramos indicações do modo de ver, sentir, pensar e agir em todas as práticas sociais:

  • nas práticas material (produção, circulação, troca e consumo de bens e serviços);

  • nas práticas política (formas de organização - movimentos, associação para obter e/ou assegurar direitos ou o poder);

  • nas práticas simbólica (formas de expressão e/ou representação: manifestações artísticas, religiosas, folclóricas, familiares, ...).

Neste sentido, a cultura como modo de vida, ou modo de ver, sentir, pensar e agir de uma sociedade diante das situações e desafios diversos da existência humana e das possibilidades de superá-los, se acaso seja. Assim sendo, temos o direito a criar e recriar nossa cultura, sendo uma estratégia de trasformação social das relações entre as pessoas.

Para isso temos que olhar as raízes de nosso modo de ver, sentir, pensar e agir na sociedade em que vivemos.

Cultura Camponesa
É um modo de vida que se dá pelo jeito de ser, de viver na roça(produzir, consumir,...) e também pela relação com a natureza. Culturalmente identificada como camponesa por que busca trabalhar e produzir alimentos para o consumo/sustento, de forma diversificada, sustentável e solidaria.

Cultura Patriarcal
Esta se caracteriza pelas coordenações de ações e emoções que fazem da vida cotidiana um modo de coexistência que valoriza a guerra, a competição, as hierarquias, a autoridade, o poder, a procriação, o crescimento, a apropriação de recursos e a justificação racional do controle e da dominação das/os outras/os por meio da apropriação da verdade - na desconfiança da autonomia das/os outras/os. Apropriação do direito de decidir o que é ou não legítimo, no contínuo propósito de controlar a vida. A cultura patriarcal se estrutura na hierarquia das relações, que exige obediência - ordenada pela autoridade e subordinação, superioridade e inferioridade, poder e debilidade ou submissão. Assim, justifica-se a competição, isto é, o encontro na negação mútua como a maneira de estabelecer a hierarquia dos privilégios.

Cultura Capitalista
É um ciclo continuo de obtenção de lucro por meio da exploração do trabalho. Em outras palavras a cultura capitalista se apresenta como agentes econômicos, orientadores para intensificar a dominação do mercado por meio dos aparelhos de hegemonia – o que conduz o embate político para o campo da ideologia e, conseqüentemente de um processo de direção moral e intelectual que envolve os costumes e a conduta dos indivíduos (mulheres e homens), expressados no consumismo, exploração, violência...

 
 

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