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Sem as mulheres, não
há revolução
Agência Carta
Maior
Agora,
com as revoluções árabes, volta à tona a participação das
mulheres nas revoluções. Nós também queremos igualdade,
liberdade e não temos medo. Durante uma revolta social nossa
participação é fundamental para que os avanços não fiquem só
no plano formal e para que haja um questionamento profundo
dos papeis atribuídos às mulheres e uma ruptura dos mesmos.
Contamos com vários exemplos históricos nos quais temos
visto que, quando as mulheres participam nas revoluções, a
luta lado a lado com nossos companheiros de classe faz
crescer a consciência. O artigo é de Angie Gago.
Angie Gago –
Em Luta (Espanha)
Este mês
volta a celebrar-se um novo 8 de março, Dia Internacional da
Mulher Trabalhadora. Durante esta jornada de protesto,
milhões de mulheres em todo o mundo sairão às ruas para
reivindicar seus direitos. Nestes momentos de crise
econômica, nós mulheres estamos sofrendo os efeitos dos
cortes sociais mais profundos em muitos anos. A reforma
trabalhista, a reforma da Previdência e os cortes nos
orçamentos dos serviços sociais (saúde, educação, etc.)
afetam duplamente a mulher, que já está em uma posição de
precariedade em relação a do homem. Encarregadas dos
cuidados das crianças e anciãos e obrigadas a trabalhar por
menos salário, as mulheres sofrem uma dupla cadeia dentro do
sistema capitalista: a exploração e a opressão.
Mas nós
também temos aparecido, ao longo da história, a frente das
lutas sociais e democráticas. O dia 8 de março é um dia de
visibilidade da luta pela libertação das mulheres. Mas cada
dia, de maneira “invisível”, nós lutamos para conseguir
nossa emancipação. Seja dentro dos sindicatos ou grupos
políticos, seja dentro dos coletivos feministas ou com a
luta diária de trabalhar e chegar ao fim do mês, temos um
papel ativo essencial na transformação social.
Nas
últimas semanas temos visto em repetidas ocasiões imagens de
mulheres durante as revoluções árabes: Tunísia, Egito,
Argélia, etc. Na primeira frente de batalha, na Praça Tahir
ou na Praça Primeiro de Maio, as mulheres compareceram em
massa aos protestos para derrubar os regimes autoritários
que têm dominado seus países nas últimas décadas. Elas são
destes países que o mundo ocidental quer invadir para
libertá-las. Mas não se cansam de dizer que só serão
libertadas por elas mesmas.
Ainda que
haja infinitos exemplos nos quais as mulheres lutaram nas
revoluções democráticas e sociais, sua imagem é sempre
silenciada e sua história eliminada, a serviço do pensamento
sexista e de um sistema econômico que necessita deixar as
mulheres em um segundo plano. Ainda assim, ao longo da
história, as mulheres se levantaram uma e outra vez para
gritar que elas não são o segundo sexo.
Isso
aconteceu na Revolução Russa de 1917, quando milhares de
mulheres participaram na luta pela liberdade e o socialismo.
Os avanços nos direitos foram rápidos e os mais avançados da
época: direito ao divórcio, anticonceptivos, salário igual,
socialização dos cuidados, etc. Ainda que a experiência
tenha sido curta devido ao isolamento da revolução e à
contrarrevolução levada a cabo pela burocracia stalinista, a
experiência criou um precedente.
O tema já
clássico “sem as mulheres não haverá revolução” foi se
repetindo em diferentes ocasiões nas quais a luta pelos
direitos sociais da classe trabalhadora andou de mãos dadas
com a luta pela libertação da mulher. Durante a II
República, as mulheres também conseguiram uma série de
direitos que situavam a democracia do Estado espanhol como
uma das mais inclusivas da época. E, durante a Revolução
Espanhola, as mulheres tiveram um papel chave na conquista
dos direitos sociais.
Nos
momentos nos quais os povos se levantaram contra a tirania e
o capitalismo, nós temos sido protagonistas dos movimentos
de emancipação. No entanto, em nossa sociedade segue
dominando a imagem da mulher passiva. Quantas revoluções
mais faltam para eliminar este estereótipo?
Agora,
com as revoluções árabes, volta à tona a participação das
mulheres nas revoluções. Nós também queremos igualdade,
liberdade e não temos medo. Durante uma revolta social nossa
participação é fundamental para que os avanços não fiquem só
no plano formal e para que haja um questionamento profundo
dos papeis atribuídos às mulheres e uma ruptura dos mesmos.
Contamos com vários exemplos históricos nos quais temos
visto que, quando as mulheres participam nas revoluções, a
luta lado a lado com nossos companheiros de classe faz
crescer a consciência. Mas esse não é um processo
automático. Por esta razão, nossa participação nas revoltas
é fundamental para conseguir nossa libertação.
Recentemente, temos visto também como milhões de mulheres
saíram às ruas na Itália para protestar contra a cultura
machista promovida por Berlusconi. “Se não é agora, quando
será?”, gritavam as companheiras italianas. Aqui, no Estado
espanhol, também temos milhares de razões para sair às ruas.
Cada ataque do governo aos direitos conquistados pela classe
trabalhadora é um ataque a nossos direitos como mulheres. E
se a isso somamos o genocídio contra as mulheres pela
violência machista, a pergunta das companheiras italianas é
nossa também. Neste 8 de março, sairemos todas à rua para
lutar, mas no dia seguinte não voltaremos para casa.
(*) Angie Gago
é militante de Em Luta (Espanha)
Tradução: Katarina Peixoto |
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